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Produção científica cresce mais de 200% nas grandes universidades

Escrito por Comunicação UFLA | Publicado: Terça, 31 Julho 2007 21:00 | Última Atualização: Terça, 31 Julho 2007 21:00

O Estado de São Paulo, 01/08/07

Herton Escobar

Criando incentivos, instituições aumentaram significativamente o número de trabalhos publicados em dez anos

O crescimento da produção científica do Brasil nas últimas décadas já está consagrado. Em 30 anos, o número de trabalhos publicados por pesquisadores brasileiros aumentou exponencialmente de 0,3% para quase 2% de todo o conhecimento científico mundial. Uma nova avaliação caso a caso do desempenho das principais instituições de pesquisa do País, entretanto, revela números surpreendentes sobre esse crescimento.

Entre as 15 universidades com maior produção científica no momento, 11 cresceram mais de 200% em relação a dez anos atrás (1996-2006), segundo os dados mais recentes da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), obtidos com exclusividade pelo Estado.

As seis primeiras colocadas - USP, Unicamp, UFRJ, Unesp, UFRGS e UFMG - mantêm suas posições no ranking desde 1996, com aumento significativo no número de trabalhos publicados. A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) é a de maior destaque no grupo, com aumento de 258%. A Universidade de São Paulo (USP) também triplicou sua produção no período (aumento de 200%), sustentando posição isolada como maior instituição produtora de conhecimento do País.

Duas universidades menores deram saltos espantosos no período. A Universidade Federal de Viçosa (UFV) aumentou sua produção científica em 640% e a Universidade Federal do Ceará (UFC), em 410%.

O pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UFV, Maurilio Alves Moreira, atribui a melhora a uma “mudança de mentalidade” da instituição, que, além de formar recursos humanos, passou a valorizar fortemente a produção de conhecimento. “De cinco anos para cá, entendemos que a publicação é parte essencial da pós-graduação. Se não publicarmos, não vamos crescer”, disse Moreira.

A universidade criou vários estímulos à publicação, como pagamento por serviços de tradução para o inglês (necessário para publicação em revistas internacionais) e uma medalha anual conferida ao pesquisador de maior destaque da instituição. Novos doutores contratados são presenteados com um “enxoval” que inclui computador, impressora e ajuda de custo para publicação de trabalhos.

Há também o incentivo econômico, que costuma caminhar de mãos dadas com o prestígio acadêmico. Quanto mais trabalhos científicos publicados, maior é a competitividade do pesquisador para disputar recursos dentro da universidade e junto aos órgãos de fomento, como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), além da própria Capes.

“O rateio é feito com base em produtividade”, disse Moreira. “Quem publica mais certamente ganha mais em bolsas e custeio.”

PÓS-GRADUAÇÃO

No centro de tudo, está o fortalecimento dos programas de pós-graduação, fator apontado tanto como causa quanto conseqüência do aumento da produção científica. Professores com mais publicações atraem melhores alunos. Isso aumenta a qualidade dos cursos, o que atrai mais bons alunos, mais recursos, mais projetos e assim por diante.

“Cria-se um círculo virtuoso”, disse o pró-reitor de Pesquisa da UFMG, Carlos Alberto Pereira Tavares. A estratégia, segundo ele, começa pela seleção dos professores. “Quando você escolhe os melhores candidatos, é impressionante a produção que eles conseguem obter com recursos limitados. Isso faz uma diferença muito grande.”

Mão-de-obra para pesquisar não falta: o País hoje forma cerca de 10 mil doutores por ano - muitos dos quais não encontram emprego na iniciativa privada e acabam ficando na academia mesmo, pesquisando e publicando. “Hoje é suicídio abrir concurso para quem não tem doutorado. O custo-benefício é nulo”, disse o presidente da Capes, Jorge Guimarães.

A Unicamp, primeira colocada em publicação de trabalhos per capita (por pesquisador), privilegia a contratação de professores em regime integral e faz relatórios trienais para avaliar a produção científica dos docentes. “Fazemos da pesquisa um elemento muito forte na qualificação do ensino”, disse o reitor José Tadeu Jorge.

A área do conhecimento com maior número de publicações no Brasil hoje é a medicina. Uma das instituições que mais contribuiu para isso foi a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), cuja produção científica aumentou 379% em dez anos.

 

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