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Desigualdade persiste em educação e saneamento

Escrito por Comunicação UFLA | Publicado: Quarta, 29 Agosto 2007 21:00 | Última Atualização: Quarta, 29 Agosto 2007 21:00

O Estado de São Paulo, 30/08/07

Lisandra Paraguassú

País conseguiu diminuir pela metade a fome e a pobreza, mas está longe de cumprir até 2015 metas traçadas por países membros da ONU

Brasília - O terceiro relatório brasileiro sobre os Objetivos do Milênio (ODMs) - uma série de metas traçadas pelas Nações Unidas e acordadas com países membros - mostra que, se avançou nas conquistas sociais, o Brasil tem dificuldade de alcançar os mais pobres entre os mais pobres. O exemplo mais gritante dessa dificuldade para atacar o chamado “núcleo duro da pobreza” está, por exemplo, nos dados sobre os jovens que o Estado não consegue manter na escola por tempo suficiente para lhes dar, ao menos, a educação básica.

“A comparação entre estudantes segundo a renda familiar demonstra a persistência de desigualdades”, diz o relatório feito pelo próprio governo brasileiro. No ensino fundamental, apesar da dita universalização, 96,5% das crianças de 7 a 14 anos mais ricas freqüentam a escola. Entre as mais pobres, são 91,4%. No ensino médio a diferença é muito maior: 71,9% dos jovens entre 15 e 17 anos estão no ensino médio. Apenas 22,4% dos mais pobres.

Mesmo com os programas sociais, como o Bolsa Família, que exigem a freqüência escolar em troca do pagamento, ainda são os mais pobres que ficam mais tempo na escola sem avançar, repetem o ano, deixam de estudar mais cedo.

“Apesar dos avanços da sociedade brasileira, ainda é muito alta a proporção de alunos que progridem de forma lenta e dos que abandonam os estudos - o que contribui para manter em patamares baixos a taxa de conclusão no ensino fundamental”, diz o texto. Por isso, admite o governo, a taxa esperada de conclusão do ensino fundamental é de pouco mais de 50% dos estudantes, muito abaixo do que diz a meta: que até 2015 todas as crianças concluam um ciclo completo de ensino.

Concentrados especialmente nas regiões Norte e Nordeste, esse “núcleo duro da pobreza” tem um perfil claro: é formado pelas tais crianças que o Estado não consegue manter na escola, perde mais mães e filhos para doenças endêmicas e convive com falta de água tratada e esgoto sanitário.

A oito anos da data limite para o cumprimento dos objetivos, em 2015, o Brasil já cumpriu o primeiro deles, de diminuir pela metade a fome e a pobreza no País. Também conseguiu alcançar a meta de reduzir o desmatamento. Nas restantes, os resultados avançaram, mas o próprio relatório admite que as médias nacionais ainda escondem uma enorme desigualdade, mesmo que tenha havido uma aproximação entre os mais pobres e os mais ricos.

Outro objetivo em que o País aparece com problemas é também ligado diretamente à qualidade de vida das famílias mais pobres, o saneamento básico. O objetivo 7, que trata da sustentabilidade ambiental, trata da reversão da perda de recursos ambientais - onde o Brasil tem avançado -, do acesso à água potável e esgoto sanitário e a melhora na vida da população de assentamentos precários.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que chegou a imaginar, no início do mandato, que poderia incentivar empresas a doar um dia da sua produção para ajudarem no cumprimento dos Objetivos do Milênio. A idéia surgiu ao conhecer a iniciativa do empresário gaúcho Daniel Tevah, que faz essa doação na sua indústria de confecções. “Mas aí eu achei que isso era impossível e não haveria tanta sensibilidade humana para isso”, disse o presidente durante a cerimônia em que foi apresentado o relatório brasileiro dos ODMs.

De acordo com o presidente, não é difícil atingir as metas. “Não é tão difícil. Muitas vezes não existe foco.”

 

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