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Para estudo, inclusão social não piora ensino

Escrito por Comunicação UFLA | Publicado: Terça, 06 Novembro 2007 22:00 | Última Atualização: Terça, 06 Novembro 2007 22:00

Folha de São Paulo, 07/11/07

Antônio Gois

Pesquisa contraria tese de que maior ingresso de crianças pobres na escola teria puxado nível para baixo

Desde que o Ministério da Educação começou a avaliar a qualidade do ensino por meio do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), o discurso padrão de ministros, secretários e até de pesquisadores para explicar a queda no desempenho médio dos estudantes nos últimos dez anos é o de que a inclusão de crianças mais pobres nas escolas foi a principal causa dessa piora.

Um estudo divulgado ontem no seminário 'População, Pobreza e Desigualdade', da Associação Brasileira de Estudos Populacionais, no entanto, vai contra essa corrente.

Ao analisar a distribuição das notas nas turmas de 4ª e 8ª série, os demógrafos Clarissa Rodrigues e Eduardo Rios-Neto, do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da UFMG, concluem que a redução generalizada da pontuação dos estudantes no Saeb foi o principal fator que levou a queda do desempenho.

A discussão sobre o impacto da inclusão dos alunos mais pobres no ensino fundamental ocorre desde 2000, quando os resultados do Saeb aplicados aos alunos em 1999 mostrou com clareza que havia uma tendência de queda na qualidade.

A queda coincidiu com o aumento da proporção de crianças de 7 anos a 14 anos estudando. Em 1995, 10% estavam fora da escola. Quatro anos depois, o percentual caiu para 4,3% e, em 2005, chegou a 2,6%.

O argumento em defesa da tese de que foi essa expansão a principal causa da piora baseia-se no fato, praticamente consensual entre pesquisadores em educação, de que o nível socioeconômico dos estudantes é o fator que, isoladamente, mais explica seu desempenho.

Em outras palavras, crianças de famílias mais pobres tendem a ter notas piores do que seus colegas de classe cujos pais são mais escolarizados ou de maior renda. Como os alunos que estavam fora do sistema até 1995 vinham, principalmente, das classes mais pobres, logo, seria lógica a explicação de que eles puxaram a média para baixo.

'A gente já sabia que as médias estavam caindo ao mesmo tempo em que houve a expansão do sistema de ensino, mas, nossa conclusão ao analisar a distribuição relativa das notas, foi de que a queda foi generalizada, tanto entre os piores quanto entre os melhores alunos', diz Clarissa.

Rios-Neto afirma que se surpreendeu com o resultado: 'Para mim, faz todo o sentido pensar na hipótese de que pessoas antes excluídas puxem a média para baixo'.

De acordo com o pesquisador, um dos fatores que podem explicar a queda na qualidade é o fato de o sistema não ter se adaptado para receber novos estudantes e, com isso, prejudicado a média de todos os alunos, inclusive a dos que já estavam na escola.

Órgão do MEC diz que pesquisa é boa contribuição

Para o presidente do Inep (instituto de pesquisa e avaliação do MEC), Reynaldo Fernandes, o estudo do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da UFMG é uma boa contribuição para a discussão das causas que levaram à queda da qualidade da educação.

Ele diz, no entanto, que outros estudos haviam chegado a conclusões distintas, ou seja, afirmaram que a inclusão foi, sim, um fator importante para explicar a piora das médias.
'Em quase todos os países que expandiram rapidamente o sistema educacional, foi verificada uma queda nas notas. O desafio é explicar por que isso acontece. Uma hipótese é que as redes não se prepararam para receber o aluno. Outra, não excludente, é que o background familiar dos que estavam fora do sistema era pior do que o dos que já estudavam, o que acaba influenciando a média.'

O próprio Fernandes já havia feito, antes de entrar para o Inep, um estudo em que concluía que o efeito da inclusão foi importante. Ele diz, porém, que pesquisar a partir do Saeb as razões que levaram à queda da qualidade não é um procedimento simples, o que dá margem a várias interpretações.

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