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Opinião: O que espero dos próximos dirigentes da Ufla

Escrito por Comunicação UFLA | Publicado: Quarta, 28 Novembro 2007 22:00 | Última Atualização: Quarta, 28 Novembro 2007 22:00

Antônio Carlos dos Santos

Estamos em pleno processo de escolha dos próximos dirigentes da Universidade Federal de Lavras. Considero o momento de extrema importância, pois uma escolha errada pode comprometer grande parte dos sonhos de professores, servidores técnico-administrativos e alunos de graduação e pós. Devemos escolher os dirigentes pelas suas reais competências para direção, execução e controle das ações planejadas e não pelas suas titulações e intenções políticas. Pode-se dizer que o futuro da universidade está em nossas mãos.

Como professor do quadro da universidade desde 1993, espero que os próximos dirigentes transformem a Ufla em uma HIPER organização de ensino, pesquisa e extensão. A escolha do prefixo HIPER se deve a fato de ele significar grande e por ele conter as letras iniciais de cinco estratégias básicas para se construir a universidade de nossos sonhos.

A primeira estratégia a ser utilizada a da Humanização da universidade. Não se constroem grandes organizações sem a valorização dos seres humanos envolvidos. Os futuros dirigentes da Ufla precisam valorizar tanto os clientes internos (professores, servidores técnico-administrativos e alunos) como os externos (visitantes, parceiros, apoiadores, etc.).

Nesse sentido, se faz necessário o estabelecimento de políticas de incentivos, capacitação, treinamento e relacionamento, além das atividades cartoriais. Os seres humanos apresentam necessidades e desejos que precisam ser satisfeitos. Sem essas ações, jamais teremos uma grande universidade.

Uma segunda estratégia, fundamental para o desenvolvimento da universidade, é a da Integração. Em um mundo cada vez mais globalizado e competitivo, a estratégia de integração tem sido utilizada por pequenas e grandes corporações para se manter no mercado. A integração deve ocorrer tanto no nível interno como externo da universidade. No nível interno, precisamos aproximar os setores para que tenhamos maior sinergia. Infelizmente, temos situações em que departamentos não interagem, setores que não se relacionam e direções se isolam em prol de seus objetivos individuais. Parece que a filosofia predominante é a do bicho-da-seda.

No nível externo, precisamos de maior integração da universidade com a sociedade, com as demais organizações de ensino, pesquisa e extensão, com os órgãos de fomento, com os governos, as empresas de pesquisa e as ONGs, entre outros. Precisamos, também, de uma integração no âmbito internacional. Não é possível formar profissionais dotados de um senso crítico-criativo em relação aos problemas do setor onde desenvolverá suas atividades sem considerar o contexto internacional. Muitas tecnologias e processos que utilizamos são desenvolvidas por organizações transnacionais.

A integração permitirá a participação de professores, pesquisadores e alunos do desenvolvimento tecnológico, o que contribuirá para construção da grande universidade desejada.
A terceira estratégia, não menos importante, é a da Profissionalização. Profissionalizar significa dotar os postos de trabalho da organização de pessoas habilitadas para tal. No atual contexto do desenvolvimento econômico, político, sociológico e tecnológico em que vivemos é inadmissível utilizar pessoas despreparadas nos postos de trabalho. Isso é muito comum em nossa universidade. Encontramos pessoas com boa vontade, porém, desqualificadas e deslocadas dos postos de trabalho. Como resultados, têm-se a baixa produtividade dos servidores, a insatisfação de clientes internos e externos, reclamações, os desperdícios de talentos e tecnologias, o retrabalho e, até mesmo, os problemas de saúde. Isso não pode continuar.

A quarta estratégia é a da Estruturação. Nenhuma organização alcançará seus objetivos se não dispuser de uma boa estrutura organizacional, física e de pessoal. No mundo atual, a competitividade da organização moderna depende muito do alinhamento da sua estrutura organizacional aos seus ambientes de negócio. Nesse sentido, os próximos dirigentes precisam investir muito. A estrutura organizacional atual da Ufla não corresponde à sua evolução; transformou-se em universidade, mas continuou com a estrutura organizacional da antiga Esal Falta alinhamento, em termos de sistema de atividade, autoridade, comunicação e gestão.

Não há separação entre as atividades fim das atividades meio; não temos uma linha de assessoria coerente e o modelo de departamentalização não é adequado às características da organização.

No que se refere à estrutura física, a situação não é das melhores. Apesar de termos crescido muito, as estruturas que foram construídas não oferecem as condições necessárias para que haja um bom aproveitamento. A qualidade das estruturas deixou a desejar. Há carência de apoio audiovisual, controle térmico, de luminosidade e até um mínimo de conforto em termos de acomodações não existe. Não precisamos de estruturas luxuosas, mas conforto é importante no processo ensino aprendizagem.

Em termos de estrutura de pessoal, a situação apresenta-se muito boa pelo lado do corpo docente, tendo em vista a quantidade e a qualidade dos mesmos, porém, no que tange a servidores técnico-administrativos, além de faltar em quantidade, faltam investimentos em qualidade e motivação. Conseqüentemente, muitos servidores estão desvalorizados, estressados, revoltados, improdutivos, cansados, sobrecarregados e insatisfeitos com a atual situação. A terceirização foi uma opção, em face da ausência de vagas para a contratação de servidores para o quadro. Entretanto, devido a maneira como foi realizada fez surgir uma categorias de colaboradores que se confronta com o pessoal do quadro permanente e os divide em os que ganham bem e os que ganham mal, os que trabalham e os que não trabalham; os que possuem benefícios e os que não os possuem. Essa situação gera conflitos internos que colaboram para improdutividade, baixa qualidade dos serviços e um clima organizacional ruim.

A última estratégia, e de grande importância, é a do Reconhecimento. Um dos requisitos essenciais para evoluir e crescer no meio organizacional é a construção de marcas reconhecidas. Não se consegue construir grandes organizações sem que suas ações sejam reconhecidas no seu contexto interno e externo.

No caso das organizações universitárias não é diferente. A sua avaliação é, na maioria das vezes, realizada com base no seu reconhecimento pela sociedade. Nesse sentido, espero que os futuros dirigentes da Universidade Federal de Lavras façam um excelente trabalho visando manter e ampliar o reconhecimento da marca Ufla tanto no contexto nacional como no internacional. Não será fácil, pois a concorrência é muito grande e, às vezes, desleal. Precisamos, urgentemente, de equipes que trabalhem a programação visual da universidade, no sentido de profissionalizar e padronizar o processo de comunicação interno e externo da organização. Precisamos mostrar para sociedade brasileira e estrangeira que queremos ser uma das melhores universidades do planeta. Não podemos ser tímidos nesse sentido.

Em suma, considero o momento de extrema importância e acredito que, com as cinco estratégias apresentadas, será possível, com relação às atividades fim, construir uma universidade educacionalmente orientada, cientificamente alinhada e socialmente integrada. No que tange às atividades meio, teremos uma universidade bem estruturada, com servidores valorizados e profissionalmente gerenciada. Essa é a minha esperança.

Antônio Carlos dos Santos
Engnheiro Agrônomo, mestre e doutor em administração e chefe do Departamento de Economia e Administração da Universidade Federal de Lavras.
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