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Falta de polinizadores coloca a economia do Brasil em risco, indica estudo com participação da UFLA

Publicado: Quarta, 14 Dezembro 2016 13:42 | Última Atualização: Segunda, 05 Dezembro 2016 13:50
[caption id="attachment_126495" align="alignright" width="249"]Cássio Nunes e Rodrigo Braga, do Programa de Pós-Graduação em Ecologia Aplicada da UFLA, coautores do artigo que trata da crise do serviço ecossistêmico de polinizadores no Brasil Cássio Nunes e Rodrigo Braga, do Programa de Pós-Graduação em Ecologia Aplicada da UFLA, coautores do artigo que trata da crise do serviço ecossistêmico de polinizadores no Brasil[/caption] “Podemos salvar a produção de alimentos, se nos preocuparmos com a preservação dos polinizadores”. Essa é a mensagem principal de um estudo que acaba de ser publicado na revista científica Plos One, referência nas áreas de Ciência e Medicina. O artigo, disponível em versão aberta e online, tem como autores pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (UFLA), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), da Universidad Nacional Autónoma de México e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio. Cássio Alencar Nunes, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Ecologia Aplicada da UFLA e Rodrigo Braga, em pós-doutoramento no Departamento de Biologia (DBI/UFLA), coautores do artigo, fazem o alerta: a possível crise de polinizadores no Brasil pode trazer efeitos significativos sobre a produção agrícola do País e um prejuízo significativo para a economia. Ele explica que em alguns locais do mundo como, por exemplo, na Europa e nos EUA, existe uma crise biológica de insetos polinizadores e o déficit desses agentes já estão gerando grandes prejuízos econômicos, a medida que a produção de algumas culturas agrícolas são diminuídas. Essa constatação motivou o estudo sobre os efeitos de uma possível crise de agentes polinizadores no Brasil, pensando também nos prejuízos econômicos e sociais, já que uma boa parcela do nosso PIB vem do setor agropecuário. O estudo utiliza dados oficiais de produção agrícola do IBGE e informações biológicas sobre a dependência das culturas por agentes polinizadores. Os pesquisadores observaram que 68% das 53 principais culturas agrícolas brasileiras são dependentes em algum nível dos polinizadores. As culturas não dependentes de polinizadores produzem maior volume de alimento, principalmente devido à alta produção de cana-de-açúcar, mas a área cultivada e o valor monetário das culturas dependentes de polinizadores são maiores (59% da área cultivada total e 68% do valor monetário). Ao simular a perda dos polinizadores em uma possível crise, verificou-se que o Brasil poderia perder entre 4,8 e 14,5 bilhões de dólares por ano, somente com a diminuição da produção, o que representaria uma redução de 6,4% a 19,3% da contribuição da Agropecuária no PIB brasileiro, ou seja, uma redução significativa nos 450 bilhões que representou o PIB da Agropecuária em 2013, ano base da pesquisa. Atualizando os dados para a 2015, de acordo com balanço feito pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a participação do setor no PIB teve uma projeção de 23%, de um total de R$ 5,9 trilhões, ou seja, com o passar do tempo, o impacto da crise de polinizadores só aumenta. Além disso, foram abordados alguns efeitos dessa redução do ponto de vista social. Como 75% da força de trabalho da agricultura brasileira é composta de agricultores familiares, essas perdas seriam significativas para esse segmento.  O artigo também chama a atenção da academia mundial para os impactos na segurança alimentar do cidadão brasileiro e no comércio mundial, já que o Brasil é um dos maiores exportadores do mundo. No artigo, também são discutidas algumas estratégias que o Brasil pode tomar para evitar que a crise de polinizadores aconteça. Um dos exemplos é a diminuição no uso de agrotóxicos, que vem sendo apontado como uma das principais causas do declínio de abelhas na Europa e nos EUA. O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, inclusive utilizando alguns que já foram banidos em diversos países. Outro exemplo seria a adoção e implementação de práticas de conservação de habitats nativos, já que são grandes fontes de agentes polinizadores das culturas agrícolas. Outras referências na UFLA Neste contexto, o Departamento de Entomologia/UFLA, atua há vários anos nas áreas de manejo apícola (incluindo cursos regulares na Graduação) e de proteção de polinizadores, com estudos voltados a avaliar o impacto de produtos fitossanitários sobre as abelhas. Devido a crescente demanda por informação, foi recentemente criado o Núcleo de Estudos em Abelhas - NEBee (http://www.den.ufla.br/nebee/), o Laboratório de Estudo em Abelhas e a reestruturação do Setor de Apicultura, todos com o objetivo de atender a demanda da sociedade acerca do assunto. O tema tem sido objeto de estudo dos professores César Freire Carvalho e Stephan Carvalho. Em breve, reportagem especial sobre essa linha de pesquisa. Relevância A polinização é um dos principais mecanismos de manutenção e promoção da biodiversidade na Terra. Somente após a polinização as plantas podem formar frutos e sementes, das quais dependem para sua reprodução. Mais de 3/4 das plantas agrícolas que alimentam o mundo e muitas plantas utilizadas pela a indústria farmacêutica dependem da polinização por insetos ou outros animais para produzir frutos e sementes. A manutenção da diversidade de polinizadores contribui para a manutenção da nossa diversidade de alimentos e qualidade de vida. Clique aqui e confira o artigo

 

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