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Pesquisa da UFLA identifica fungo em queijo tradicional de Minas

Escrito por Comunicação UFLA | Publicado: Sexta, 26 Mai 2017 05:30 | Última Atualização: Segunda, 08 Mai 2017 09:50
[caption id="attachment_131822" align="alignleft" width="249"] Amostras de queijo artesanal são analisadas em laboratório do DCA[/caption] A Universidade Federal de Lavras (UFLA) está à frente de uma pesquisa sobre um dos patrimônios imateriais de Minas Gerais, o Queijo Minas Artesanal, produzido nas microrregiões de Serro e da Canastra. Com métodos artesanais e utilização de leite cru, a iguaria, tradicional na mesa dos mineiros, é fabricada também nas áreas próximas de Araxá, Campo das Vertentes, Cerrado, Serra do Salitre e Triângulo Mineiro. O estudo sobre a micobiota terroir em Queijo Minas Artesanal, particularmente a que cresce na superfície, visa à identificação dos fungos filamentosos e leveduras presentes no queijo e no ambiente de produção. O trabalho é desenvolvido pela mestranda Michele de Oliveira Aragão, do Departamento de Ciência dos Alimentos (DCA), sob a coordenação dos professores Luís Roberto Batista e Luiz Ronaldo de Abreu, também do DCA. No caso do queijo artesanal, os pesquisadores observaram que os microrganismos que estão no ambiente e o modelo tradicional de produção são determinantes na concepção do produto, diferenciando-o dos industrializados. O projeto iniciou-se há cerca de um ano, a partir da demanda de um produtor da cidade de Serro, que percebeu a presença de mofo branco em queijos de sua propriedade. Após o contato com os pesquisadores do DCA, o produtor enviou amostras desses produtos e foi constatada a predominância de Geotrichum candidum. Em seguida, os responsáveis pela pesquisa seguiram para o Serro e realizaram análises microbiológicas de amostras de superfícies e da qualidade do ar do local de produção. Esse mesmo processo se repetiu em outras duas cidades mineiras localizadas na região da Canastra: São Roque de Minas e Piumhi. [caption id="attachment_131823" align="alignright" width="249"] Iguaria produzida em Minas Gerais[/caption] No laboratório de micologia e micotoxinas do DCA, ocorrem o isolamento e a identificação dos microrganismos, sendo que os fungos e leveduras isolados estão armazenados a uma temperatura de menos 80 ?C, na coleção de cultura de microrganismos do departamento. Após a investigação, os pesquisadores constataram que o fungo em questão circulava naturalmente no ambiente de ambas as regiões produtoras, que apresentam condições climáticas favoráveis para o desenvolvimento do fungo. Conforme o professor Luís Roberto, o G. candidum é responsável pela textura enrugada na superfície do produto. Esse microrganismo, comum em queijos artesanais fabricados a partir de leite cru, desempenha um importante papel na maturação e dá um toque especial ao sabor e ao aroma da iguaria em razão da produção de enzimas específicas. Os pesquisadores consideram que essas constatações são algumas das principais contribuições da pesquisa no sentido de reafirmar a identidade regional do produto e de garantir a comercialização e o consumo. Além de influenciar no sabor, o fungo não traz prejuízos à saúde, conforme revelam os estudos. Ainda segundo os pesquisadores, é importante seguir com o monitoramento da micobiota terroir, pois há outros microrganismos envolvidos no ambiente que encontram condições favoráveis para desenvolvimento no queijo. Os trabalhos estão em andamento e contam com o auxílio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A pesquisa ganhou repercussão na mídia e foi destaque nos jornais Estado de Minas e O Tempo, ambos de Belo Horizonte. Texto: Rafael Passos - Jornalista/bolsista - Fapemig Fotos:  Mayara Toyama - Estagiária/DCOM/UFLA