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O trote e o lúdico: festejando!

Escrito por Comunicação UFLA | Publicado: Terça, 26 Fevereiro 2008 21:00 | Última Atualização: Terça, 26 Fevereiro 2008 21:00

A chegada à universidade marca sem dúvida uma nova etapa na vida de um jovem – ou mesmo daqueles já não tão jovens assim – o nome universidade não é gratuito, é a entrada em um novo mundo. Ingressar na universidade pode ser considerado um rito de passagem da vida moderna, e um dos mais importantes de nossa sociedade. Em outras sociedades, antes de ingressarem definitivamente na vida adulta os jovens devem passar por um período de isolamento, no qual seu corpo e sua mente são a um só tempo preparados para a nova fase que irá se iniciar. Não é um período fácil. Dietas especiais, restrições de visitas, provas físicas, exercícios diários para aprender as atividades valorizadas por seu grupo. Um tipo de sacrifício certamente comparável aos meses de estudos dos pré-vestibulandos, às festas perdidas trocadas por noites em claro estudando, ao isolamento em quartos, bibliotecas, salas de aula, à dieta especial à base de livros...

Mas os rituais de iniciação, em sua maior parte – em diversos cantos do mundo, sociedades africanas, ameríndias, australianas, camponesas – têm seu ponto ápice em uma grande festa que envolve toda a sociedade. Passada esta situação de isolamento e margem, os jovens neófitos são reinseridos à vida social, agora já como jovens adultos e não mais adolescentes ou crianças. E isto é motivo de celebração! Ora, o sacrifício a que se submeteram os vestibulandos também deveria ter o mesmo desfecho: uma celebração lúdica, uma verdadeira festa.

O festejar e o lúdico assumem na verdade uma dimensão de aprendizado da sociabilidade e apropriação de própria história por parte destes povos. É através da festa, em suas danças, cantos e encenações, que muitos dos conhecimentos necessários à essa nova vida adulta são repassadas aos jovens. A diversão para estes grupos tem um papel fundamental na sua vida social e é assunto sério, é o meio através do qual eles constroem e reafirmam a sua própria identidade.

Para nós, embora de forma menos explícita, a festa pode ter esse mesmo papel, é um momento no qual as pessoas podem conhecer umas às outras mas também reconhecerem-se a si próprias em seu novo papel. Não é preciso ir muito longe, basta lembrar das famosas festas de 15 anos, momento de confraternização, mas também um rito de passagem em que a menina deixa de ser pensada como uma criança e passa a ser reconhecida como uma jovem aos olhos dos outros e aos seus próprios olhos.

Toda celebração de um rito de passagem possui fundamentalmente uma dimensão de ensinamento e aprendizado, afinal, é um universo desconhecido que se descortina frente aos jovens – vestibulandos, neófitos, debutantes, não importa a situação – e eles devem sempre poder contar com os mais velhos nesta hora, sem no entanto nunca perder de vista a dimensão festiva e lúdica deste momento.

Mas toda festa é também potencialmente libertária, momento em que todos são iguais na comemoração e no qual a hierarquia cede lugar ao lúdico. Na própria definição de festa está a idéia de que ela cumpre um papel de aproximar aqueles que participam de suas celebrações, tornando-os um só “corpo festivo”. É um momento de celebração e confraternização, em que as diferenças podem e devem ser suavizadas, veteranos e calouros, jovens e velhos, homens e mulheres, na celebrações de recepção ao calouro são todos parte de uma mesma universidade e unidos por uma série de componentes comuns.

O “divertir-se” é ainda parte essencial também para o prosseguimento da “vida séria” em qualquer sociedade. Toda festa informa também sobre os valores e gostos de um grupo. Uma grande comemoração gera um grande excedente de energia; a escolha de como e para onde canalizar este excedente é o que confere a identidade de cada grupo, diz sobre aquilo que se é, mas também sobre o que poderá ser...

Ao agregar as pessoas mais diversas em um objetivo único de divertir-se, a festa recobre dimensões culturais, políticas e sociais. Ela possui mesmo um caráter libertário e transformador, capaz não apenas de informar sobre os valores e regras de um grupo, mas de revisá-los e transformá-los. Se na recepção aos calouros cada aluno tem a oportunidade de apresentar a universidade tal como ela é àqueles que acabam de chegar, tem também a chance de imaginar e construir como ela poderia ser. Isto sim seria entender que diversão também é coisa séria.

* Texto publicado em:
www.ufmg.br/dae/vemamigo/tacontigo1.html
criado pela Diretoria para Assuntos Estudantis para auxiliar na reflexão sobre o significado da recepção aos calouros.

 

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