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Fim do vestibular?

Escrito por Comunicação UFLA | Publicado: Domingo, 18 Mai 2008 21:00 | Última Atualização: Domingo, 18 Mai 2008 21:00

Alunos, professores e especialistas avaliam se a seleção é justa ou não para o ingresso de jovens no ensino superior

Estão abertas as inscrições para vários vestibulares do país. Com isso, vem à tona o debate sobre o vestibular como a principal forma de ingresso na universidade. E não são apenas os cansados estudantes do ensino médio ou de cursinhos que acham o vestibular uma forma injusta de seleção. Alguns especialistas também questionam essa forma de acesso ao ensino superior e até propõem alternativas. Mas, por enquanto, é o processo seletivo adotado pela grande maioria das universidades do Brasil. Embora a legislação brasileira não faça essa exigência. Ela apenas determina que as instituições precisam admitir os estudantes por meio de seleções, mas não define modelos.

Uma das principais críticas feitas ao vestibular é quanto ao privilégio de alunos que podem pagar por colégios de ensino médio ou cursinhos preparatórios, enquanto o ensino público não consegue criar condições para que seus alunos se saiam bem. “O vestibular é uma avaliação que não é boa porque a preponderância da questão econômica é muito grande”, avalia o professor do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília Pedro Demo.

“Acho que o vestibular é justo, mas não no nosso país, que é cheio de desigualdades”, concorda Karla Gabriela Silva de Araújo, 22 anos.

Para a presidente do centro de seleção da Universidade Federal de Goiás (UFG), Luciana Freire, o vestibular ainda é a forma mais democrática de acesso ao ensino superior. “Uma questão muito forte nas universidades públicas é o número de vagas, que não são suficientes para a demanda. Nesse sentido, o vestibular ainda é a forma mais justa de ingresso porque há a possibilidade de concorrência para todos. Existem diferenças de condição de ensino, de formação, mas no momento de realização da prova, ela é igualitária porque não há favorecimento de ninguém, todos têm condições de concorrer”, justifica Luciana.

No Brasil, de acordo com o último Censo da Educação Superior, realizado pelo Inep em 2006, foram oferecidas 2.629.598 vagas no ensino superior para 5.629.698 estudantes inscritos em processos seletivos.

Segundo o professor Pedro Demo, a questão das vagas realmente é um problema. “Não dá para comparar com outros países. Aqui falta vagas no ensino superior gratuito e sobram nas particulares. Na Europa, por exemplo, as universidades são todas públicas e gratuitas. No Brasil, vamos ter que continuar suportando o vestibular”, explica. Para ele, algumas universidades apontam avanços, como as que adotam os programas de avaliação seriada e aquelas que fazem provas discursivas ou de redação.

Histórico escolar vale a pena?

Alguns modelos de seleção, como o norte-americano, levam em consideração o desempenho do aluno ao longo de seus anos escolares e a realização de entrevistas, o que na visão de muitos estudantes seria mais adequado.

“O vestibular é usado aqui porque não tem espaço para todos no ensino superior. Mas acho que pelo histórico escolar seria bem melhor. Eu não sei se iria para uma boa universidade porque fui um aluno mediano, mas acho que se fosse assim os alunos seriam incentivados a estudar sempre, e não só para o vestibular”, acredita o estudante de cursinho Raiony Farias de Souza, 17 anos.

Segundo especialistas, esse tipo de processo não daria certo no Brasil por vários fatores. “ Seria preciso haver maior oferta de vagas e maior homogeneidade no ensino médio e fundamental em relação à qualidade e à estrutura. O sistema educacional do Brasil é diferente e outra forma de seleção não seria possível”, avalia Luciana Freire.

O gerente de interação educacional do Centro de Seleção e Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (Cespe), Ricardo Gauche, aponta outros impedimentos. “Levando-se em conta a emissão de documentos em nosso país, não temos ainda a segurança exigida em processos seletivos. Com relação às entrevistas, não há como fazê-las, por absoluta falta de recursos humanos e objetividade exigida no processo. É fundamental distinguir avaliação seletiva de avaliação pedagógica”, argumenta Ricardo.

Provas sem decoreba

Embora acreditem que o vestibular seja ainda a principal forma possível de seleção no Brasil, os especialistas avaliam que ele precisa ser revisto e garantem que alguns avanços já foram conquistados. Entre eles está a preocupação em preparar provas que levem os alunos a refletir e não apenas memorizar os conteúdos. Outra conquista são os processos de avaliação seriada, visto com bons olhos por universidades, alunos e estudiosos do assunto. Além disso, algumas universidades têm se aproximado do ensino médio para que as provas fiquem mais semelhantes à realidade dos alunos e professores.

Avaliação seriada

Algumas instituições, como a Universidade de Brasília(UnB), a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e a Universidade Federal de Viçosa (UFV), adotaram processos seletivos seriados além do vestibular tradicional. Nesse tipo de avaliação, mede-se o conhecimento do aluno em cada ano do ensino médio. “O Programa de Avaliação Seriada (PAS) é uma oportunidade ímpar para os candidatos aos diversos cursos da UnB, já que, sendo durante todo o ensino médio, permite uma auto-avaliação contínua, com amplas oportunidades de superação pessoal”, considera Ricardo Gauche.

Para o vestibulando José R. Lopes Moreira, 19 anos, “o PAS é a melhor coisa que existe, porque cobra o que o estudante sabe em cada ano. Acho que se os alunos soubessem o quanto é melhor, levariam mais a sério e estudariam desde o primeiro ano”.

Nova abordagem

Ainda hoje, algumas universidades insistem em aplicar provas que exigem do aluno apenas a memorização do conteúdo visto em sala de aula, mas algumas instituições têm buscado outros caminhos, elaborando provas que exigem análise e reflexão e não apenas conhecimento. Com essa abordagem, as universidades pretendem também provocar uma mudança no ensino médio, que muitas vezes tem se restringido à preparação para o vestibular e abandonando os reais propósitos da educação.

Para isso, a Universidade de Brasília, por exemplo, define os objetos de avaliação em conjunto com os professores do ensino médio, com base nas Diretrizes Curriculares Nacionais, o que aproxima a avaliação da realidade dos candidatos. “O vestibular convencional não é a melhor forma para selecionar estudantes”, diz Ricardo Gauche. Ele afirma que a UnB tem procurado melhorar o processo de ensino-aprendizagem desenvolvido nos sistemas de educação básica e de ensino superior.

Segundo Luciana Freire, essa também é uma preocupação da UFG. “Frisamos muito com as escolas, tanto públicas quanto particulares, que o ensino médio tem um papel na vida do estudante para além do vestibular, um papel de formação. O vestibular não pode ser o fim do ensino médio. Penso que mudar essa mentalidade é necessário”.

“Eu acho que a educação como um todo precisa ser reformulada. O ensino médio hoje só quer que o aluno passe no vestibular”, avalia a estudante Laryssa Albuquerque Martins, 17 anos.

 

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