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UFLA e Centro Agroecológico do Café/México realizam pesquisa para conter ferrugem do cafeeiro

Escrito por Comunicação UFLA | Publicado: Quinta, 10 Março 2016 14:01 | Última Atualização: Quarta, 09 Março 2016 06:17
[caption id="attachment_108417" align="alignright" width="249"]adelia_2 Adélia Pozza intensifica pesquisas com o Centro Agroecológico do Café - México[/caption] A relação da nutrição mineral com a ferrugem do cafeeiro e a qualidade da bebida em sistemas agroecológicos e convencionais será o tema da pesquisa Após ministrar palestras em workshops e oficinas da Food and Agriculture Organization (FAO) de “Agroecologia e a Ferrugem do Café” em cinco países da América Central (Panamá, Costa Rica, República Dominicana, Nicarágua e El Salvador), a professora da Universidade Federal de Lavras (UFLA) Adélia Aziz Alexandre Pozza, do Departamento de Ciência do Solo (DCS), foi convidada para mais uma atividade de parceria, desta vez, no Centro Agroecológico do Café, em Xalapa, Veracruz – México. A previsão é de que a professora realize visitas técnicas, ministre minicursos e palestras entre os dias 24 de abril e 6 de maio. O objetivo é compartilhar com os produtores de café e técnicos orientações científicas e tecnológicas que envolvem o manejo agroecológico no controle da ferrugem do cafeeiro, abordando o uso de nutrientes minerais para aumentar a resistência do cafeeiro, além de apresentar a melhor maneira de se interpretar análises de solo e foliares para a cultura. Doutora em Ciência do Solo com ênfase em nutrição e doenças de plantas e pós-doutora em Pedologia, a professora Adélia trabalha há mais de 20 anos na área. “A ferrugem do cafeeiro voltou a causar grande preocupação na comunidade internacional. A ocorrência de epidemia na América Central e Caribe tem levado a perdas acentuadas na produtividade, causando cerca de US$ 1 bilhão em prejuízos econômicos e perdas de 500 mil postos de trabalho”, afirma a professora. A professora explica que essa visita ao México é o primeiro passo para mais uma significativa parceria com o Centro Agroecológico do Café. “Nossa pesquisa analisará como o uso dos nutrientes de forma equilibrada afeta a qualidade da bebida, no produto final. O Centro Agroecológico do Café nos auxiliará com as análises e interpretação de resultados. Vamos verificar se a qualidade dos frutos originados de sistemas agroecológicos - sem adubação, conduzidos em sistemas sombreado e em equilíbrio na natureza - é comparável com a qualidade do café produzido a pleno sol e com adubação adequada”, comenta. Assim, nessa primeira visita, Adélia já terá a oportunidade de conhecer a capacidade dos laboratórios de análises químicas e moleculares e o laboratório de degustação de café do Centro, com a expectativa de estabelecer relações e trabalhos de investigação futura. “Atualmente, nos sistemas agroecológicos, está ocorrendo alta intensidade de ferrugem. É o que vamos trabalhar primeiro. Em cada país serão realizadas análises das folhas de cafeeiro e do solo em questão, em que se verificarão quais nutrientes estão envolvidos no ataque de ferrugem, por exemplo. E assim, tentaremos correlacionar a deficiência ou excesso desses nutrientes com a qualidade da bebida. Até então, não conseguíamos associar esses fatores, porque a investigação, muitas vezes, parava na produtividade e não chegava ao produto final, à qualidade da bebida. Faremos esse estudo contando também com a parceria do professor Flávio Borém da área de qualidade de café da UFLA”, explica. A importância da nutrição mineral  Adélia relata que a nutrição de plantas obtida pela adubação no tempo correto, com as doses e as fontes adequadas, é primordial para o café ter a qualidade necessária. “Nós temos trabalhado muito com o cálcio e sua interação com os demais nutrientes, pois, com sua deficiência, observa-se maior suscetibilidade às doenças. Ele também é um nutriente que deve ser fornecido antecipadamente para tornar-se disponível para as plantas. A calagem é a principal forma de se fornecer cálcio para as plantas e deve ser feita antecipadamente, logo após a colheita dos grãos, pois a maioria dos calcários utilizados é pouco solúvel e, para ocorrer sua disponibilização, é necessário um tempo de reação dele com o solo. Ele atua na parede e na membrana celular da planta, que, caso não esteja bem formada, favorece as doenças e a perda na qualidade do fruto”. A professora explica que o silício também pode ser empregado como uma ferramenta de auxílio no controle de doenças, visto que estimula a formação de barreiras de defesa na planta, fazendo com que ela se torne mais resistente.  Entretanto, segundo ela, as aplicações de silício e de outros nutrientes isoladamente correspondem a um refinamento da adubação convencional com os nutrientes essenciais; assim, o controle efetivo com silício não ocorre se a planta estiver mal nutrida. Além disso, Adélia afirma que as aplicações de fungicidas em plantas desnutridas também não são 100% eficientes. “Cafeeiros adubados com excesso ou deficiência de potássio e de boro não responderam às aplicações sequenciais para o controle da ferrugem, sendo necessária maior quantidade de pulverizações foliares do que nas plantas com nutrição equilibrada, contribuindo, dessa forma, para reduzir a contaminação ambiental e melhorar a sustentabilidade da cultura”, complementa. Esses trabalhos são resultado de uma parceria da professora Adélia com o professor Edson Pozza, do Departamento de Fitopatologia da UFLA, que permitiu a publicação de vários artigos, livros, capítulos, dissertações e teses na área de nutrição e doença de plantas. Devido à complexidade dessa área de estudo, Adélia relata que é fundamental sempre realizar um estudo multidisciplinar, a fim de gerar tecnologia, estabelecer parcerias e contribuir com a redução do impacto ambiental utilizando técnicas de maior sustentabilidade no agroecossistema.
Texto: Camila Caetano – jornalista/ bolsista UFLA
   

 

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