Ir direto para menu de acessibilidade.
Pandemia

"Coronavírus e alterações cardiovasculares" foi o tema de aula ministrada por professor do Imperial College London para estudantes da UFLA e médicos

Escrito por Pollyana Reis Dias | Publicado: Sexta, 19 Fevereiro 2021 16:41 | Última Atualização: Segunda, 16 Agosto 2021 09:55 | Acessos: 1378
Gentileza solicitar descrição da imagem

Na quinta-feira (19/2), o médico Ricardo Petraco, pesquisador do Imperial College London – instituição que se tornou referência mundial sobre as projeções da pandemia de Covid-19, compartilhou conhecimentos sobre a relação entre o coronavírus e a cardiologia durante aula da disciplina "Covid-19" ministrada para os programas de Pós-Graduação em Ciências da Saúde e da Medicina Veterinária da Universidade Federal de Lavras (UFLA). Estudantes e profissionais de saúde acompanharam informações sobre alterações cardiovasculares associadas ao coronavírus e tiraram dúvidas sobre o tratamento da doença. Basta clicar aqui para assistir à live.

Ricardo Petraco é um dos principais especialistas no assunto. Na Master Class, ele respondeu a perguntas recorrentes feitas por médicos e estudantes de medicina em Londres, a respeito do risco maior de pacientes com doença cardíaca serem infectados por Covid-19. “Nenhum paciente cardíaco está mais propenso a pegar coronavírus do que quem não tem doença cardíaca, mas ele provavelmente terá de forma mais grave”, afirmou.

Segundo ele, a doença cardíaca mais importante para se definir risco de covid é a doença sistêmica, coronariana, que é a segunda comorbidade mais prevalente nos pacientes que morrem de Covid-19. Ou seja, entre as situações em que um indivíduo possui alguma doença em conjunto com outra. “Cerca de 10% de quem morre de Covid-19 têm doença coronariana, enquanto  em pacientes com elevação de troponina sobe para 40% de mortes”, conta.

O pesquisador informou que no topo da lista de risco de se morrer por coronavírus estão as  diabetes. Pesquisas na área apontam que um terço dos pacientes que morrem de Covid-19 é diabético. E, do ponto de vista dos riscos de morte, pacientes com doenças cardíacas, insuficiência cardíaca e cardiopatia enfrentam mais perigo.   Quanto a outras doenças, como hipertensão, ainda faltam evidências científicas para afirmar se são fatores de risco independentemente de se desenvolver Covid grave.

“Sabemos que todos os pacientes com doença sistêmica têm risco maior, assim como todos que têm disfunção do ventrículo esquerdo ainda mais. Pacientes cardíacos devem ser tratados de modo mais especial e se resguardar ainda mais com medidas de higiene, uso de máscara de proteção e isolamento social”, informou o cardiologista e professor do Imperial College de Londres.

Diabetes

Um estudo feito na Inglaterra demonstrou o risco de pacientes diabéticos morrerem por Covid -19. Ricardo Petraco lembra que no começo da pandemia, no ano passado, durante a primeira onda, quando a doença atingiu pico de infecções, aumentou tanto a mortalidade geral dos pacientes com diabetes quanto as mortes por Covid-19. “Não só pacientes diabéticos morreram com Covid-19, mas no mesmo período, em relação aos anos anteriores, morreram mais diabéticos de outras causas com muito mais frequência. O motivo foi a dificuldade em tratar as outras doenças que não a Covid-19 durante a crise”, esclarece.  Como efeito colateral da pandemia do coronavírus  no sistema público de saúde, os esforços direcionados à Covid-19 aumentaram a mortalidade de pacientes com doenças crônicas, independentemente do vírus em si.

“Quando se analisa o risco de diabete e outros riscos, como da idade, a gente aprendeu que  quanto mais velho e diabético, maior risco de morrer, e principalmente pacientes homens”, exemplificou.

O risco da obesidade

- Obesidade é um fator muito importante. Dados do Reino Unido mostram que dois terços dos pacientes que desenvolveram Covid-19 grave tinham sobrepeso ou obesidade. “A obesidade ainda é fator de risco para outras doenças, como diabetes e doenças sistêmicas. Se somado, a chance de um obeso, diabético e cardiopata morrer é extremamente alta”, afirmou.

No Japão, onde apenas 27% da população tem índice de massa corporal acima do BMI 25, a mortalidade foi pequena se comparada com outros países em que a porcentagem de obesidade é maior.

O que pode ser feito?

Além das medidas de prevenção ao coronavírus padrão, como manter distanciamento social, lavar as mãos com sabão e álcool e usar máscara, o cardiologista endossa a importância do sistema de saúde e médicos manterem o quadro de saúde de diabéticos e obesos estável.  “É um dilema isolar o paciente e ele não ir ao hospital, e ao mesmo tempo, ter de mantê-lo com a doença controlada.  O diabético que tiver a doença controlada, provavelmente terá Covid-19 menos severa do que quem tem a doença descontrolada”, explicou durante a apresentação.

A professora da disciplina “Covid-19” dos programas de pós-graduação de Ciências da Saúde e de Medicina Veterinária da  UFLA, Joziana Muniz de Paiva Barçante, ressaltou a importância da bagagem profissional do professor Ricardo Petraco, do Imperial College London. “Ele está a frente de todos os processos de estudo, das modelagens matemáticas e dos modelos de enfrentamento do coronavírus na instituição, que é referência mundial na doença. As alterações cardiovasculares e os danos decorrentes no sistema cardiovascular em função da Covid-19 estão entre os mais importantes assuntos a serem estudados sobre a doença e suas consequências clínicas”, frisou a coordenadora da disciplina, que celebrou o intercâmbio de conhecimento com a UFLA.  

 

Reportagem: Pollyanna Dias, jornalista - bolsista da Comunicação UFLA