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Inovação na Agricultura

Começa o 32º Congresso Nacional de Milho e Sorgo – um dos maiores eventos de ciências agrárias do País

Escrito por Samara Avelar | Publicado: Terça, 11 Setembro 2018 14:12 | Última Atualização: Quarta, 12 Setembro 2018 12:47 | Acessos: 2328
Cerimônia oficial do 32º CNMS

Evento reforça a tradição da Universidade no desenvolvimento de pesquisas e tecnologias agrárias na área do milho, principal cereal produzido no mundo e um dos principais produtos de exportação do País

Teve início nessa segunda-feira (10/9) a 32ª edição do Congresso Nacional de Milho e Sorgo (CNMS), sediado pela Universidade Federal de Lavras (UFLA). O evento, promovido pela Associação Brasileira de Milho e Sorgo (ABMS), é realizado pela UFLA e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), sendo a terceira edição realizada no Estado e a primeira na região Sul de Minas Gerais. Cerca de 800 pessoas devem participar das atividades programadas para os cinco dias de evento, que conta com duas conferências, mais de 40 palestras e de 400 trabalhos científicos em exposição, além de um showroom tecnológico, constituído de estandes, tendas e áreas descobertas para a exposição de máquinas e implementos agrícola, com mais de 20 empresas expositoras.

Após o dia de troca de experiências durante o I Workshop de Micotoxinas, no Salão de Convenções da UFLA, os congressistas se reuniram para a cerimônia solene de abertura no ginásio poliesportivo. O presidente do 32º CNMS, professor do Departamento de Agricultura da UFLA Renzo Garcia Von Pinho, saudou os participantes e reforçou a necessidade de se repensar o sistema de produção das culturas do milho e sorgo de forma integrada. “Precisamos acompanhar a mudança no cenário brasileiro. Na maioria das regiões, o produtor deixou de produzir apenas milho e passou a trabalhar com um sistema mais complexo, incluindo várias culturas. Por isso, nessa edição do Congresso Nacional de Milho e Sorgo, o nosso objetivo é discutir soluções conjuntas para integrar com o sistema de produção de outras culturas. Não há dúvidas de que o conhecimento transmitido e a troca de experiências neste evento serão fundamentais para vencermos esses desafios”, ressaltou. Renzo reforçou também o empenho de toda a equipe envolvida no projeto durante quase dois anos para garantir o sucesso do evento. “É uma grande responsabilidade realizar um dos eventos mais importantes do Brasil na área de ciências agrárias, com mais de 60 anos de tradição. E isso foi feito por muitas mãos, com um empenho de muitas pessoas. Muito obrigado a todos!”

O presidente da ABMS, Décio Karam, falou sobre o histórico do evento, cuja primeira edição foi realizada em 1950, e sobre a evolução da agricultura nacional desde então. “Mesmo antes da criação da ABMS, pesquisadores, extensionistas e profissionais ligados à produção agrícola se reuniam para apresentarem seus resultados e debaterem a cultura do milho na Reunião Brasileira de Milho. Nos últimos 40 anos, a produção da cultura do milho e sorgo aumentou 407%: na última safra, foram colhidas 93 milhões de toneladas. A produtividade média atingiu 5560 kg, quantidade 240% superior àquela alcançada em 1976. E a pesquisa científica brasileira tem contribuído de forma substancial para o aumento dessa produção”, ressaltou.

Para o chefe-geral da Embrapa, Antônio Álvaro Corsetti Purcino, a evolução na produção do milho e do sorgo está ligada a uma revolução de informação e tecnologia que o Brasil conseguiu desenvolver por meio de suas instituições de pesquisa e ensino, entre elas a UFLA e a Embrapa, e graças à coragem do produtor brasileiro, que ousou investir em novas áreas e novas geografias, expandindo a produção. “Com tantas mudanças, novos desafios surgem. Somos o 3º maior produtor de milho do mundo e o 2º maior exportador, exportando 30 milhões de toneladas do produto. Mas é preciso agora encontrar novas maneiras de agregar valor e outras utilidades ao produto, uma vez que o consumo não tem aumentado no mesmo ritmo da produção. Devemos utilizar nossa inteligência para pensar em produtos inovadores. Não é uma tarefa fácil, mas esse é um desafio que cabe à ciência e tecnologia e a todos nós, que estamos aqui nesse congresso”, concluiu.

História da UFLA é marcada pelo pioneirismo nas pesquisas com o milho

O 32º CNMS faz parte da programação oficial de aniversário da UFLA, que completou 110 anos no dia 5/9. Pioneira em pesquisas na área de ciências agrárias, a tradicional Escola Agrícola de Lavras (EAL) inovou em discussões e compartilhamento de conhecimentos a respeito do milho logo após sua fundação, já em 1915, quando realizou a I Exposição Nacional do Milho. Em 1923, o então diretor Benjamin Hunnicutt publicou o primeiro livro sobre a cultura do milho no Brasil com o título “Milho: sua cultura e aproveitamento no Brasil”. A obra, que contava com 12 capítulos e 304 páginas, foi publicada em editora formal: na Livraria Leite Ribeiro, do Rio de Janeiro.

Ao relembrar a tradição centenária da UFLA com a cultura do milho, tema principal do Congresso, o reitor da UFLA, professor José Roberto Scolforo, reforçou a contribuição da Instituição para o avanço de toda a agricultura do País. “Foi aqui a gênesis da agricultura no cerrado, internacionalmente reconhecida. Até o início da década de 1970, o cerrado era considerado uma terra improdutiva. Mas a partir de um extenso trabalho do pesquisador Alfredo Scheid Lopes, em seus estudos de mestrado e doutorado, descobriu-se a possibilidade de correção do solo para agricultura por meio da incorporação de nutrientes, transformando terras inférteis em terras altamente produtivos. Foi um marco na história da agricultura brasileira”, ressaltou o reitor.

Entre os resultados dessa pesquisa, o então pesquisador e professor da UFLA Alfredo Scheid Lopes – hoje professor emérito – e o professor Pedro Sanches elaboraram um documento, em 1974, que trata sobre a criação de um Centro de Pesquisa para o Cerrado, projeto que posteriormente foi incorporado à Embrapa. O raro documento foi encontrado por Alfredo e rediagramado pela UFLA para presentear a Embrapa, na oportunidade da abertura do Congresso.  

Homenagens e lançamentos

Durante a cerimônia, a ABMS prestou homenagem a quatro grandes protagonistas na evolução das culturas do milho e sorgo: ao primeiro diretor da Escola Agrícola de Lavras, Benjamin Hannicutt (in memorian), e aos pesquisadores Cláudio Lopes de Souza Júnior, Urbano Campos Ribeiral e Paulo Eduardo Dion.

Também houve um momento para o lançamento de dois produtos geradores de conhecimento e facilitadores para o cultivo do milho e do sorgo pelos produtores. O livro “Melhoramento de Milho”, da editora UFV, e o aplicativo “Doutor Milho Cultivares”, da Embrapa, disponível gratuitamente nas versões Android e IOS.

Conferência de abertura aborda o futuro da agricultura brasileira

Ao término da cerimônia, foi realizada a primeira conferência do 32º CNMS, desenvolvida pelo diretor de Tecnologia e Inovação da Fibria, Fernando Bertolucci, responsável pela liderança corporativa do processo de inovação tecnológica da empresa. O engenheiro agrônomo e mestre em Melhoramento Genético de Plantas pela ESAL/UFLA reforçou a velocidade com a qual os avanços tecnológicos têm ocorrido e as mudanças necessárias na agricultura e organizações do setor para acompanhar esse processo de inovação. “O Brasil é um case de sucesso na agropecuária, mas passamos por um processo de intensas mudanças, como as dificuldades de infraestrutura, pressões sociais, aumento da competição, mudanças climáticas, novas pragas, entre outros. Diante desse cenário, é preciso protagonismo, pensar em inovações que acrescentem produtos à cadeia de valor”, destacou o palestrante.

 

Confira as fotos da abertura oficial do 32º Congresso Nacional de Milho e Sorgo: