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CULTURA DO ALGODÃO

Com apoio da UFLA, Centro de Difusão de Tecnologias Algodoeiras dinamizará cenário agrícola do norte de Minas

Escrito por Gláucia Mendes | Publicado: Terça, 11 Mai 2021 12:58 | Última Atualização: Terça, 11 Mai 2021 14:28 | Acessos: 715
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Dinamizar o cenário agrícola do norte de Minas e, ao mesmo tempo, ser uma referência no treinamento de pequenos produtores de algodão brasileiros e estrangeiros é a proposta do Centro de Difusão de Tecnologias Algodoeiras, que entrará em operação em breve, na cidade de Catuti (MG). A iniciativa é coordenada pela Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE) com o apoio da Universidade Federal de Lavras (UFLA) e outras instituições.

Em uma área de 1.200 m2, cedida pela Prefeitura de Catuti, o centro abriga uma usina beneficiadora de algodão, escritórios administrativos, salas de reunião e treinamento, balança de pesagem, galpões para máquinas agrícolas e oficina mecânica. O projeto foi concebido por docentes da UFLA no âmbito do Programa Brasileiro de Apoio ao Fortalecimento da Cotonicultura em Países em Desenvolvimento da África, coordenado e financiado pela ABC.

“O centro promove uma agregação da produção. Até então, etapas como beneficiamento do algodão e pesagem, por exemplo, estavam espalhadas por diferentes cidades do norte de Minas e exigiam deslocamentos que aumentavam o custo do processo. Portanto, um primeiro e grande ganho para os agricultores familiares é a organização da produção, com a sistematização e a melhoria da logística”, explica o professor do Departamento de Agricultura da UFLA Antonio Fraga.

No novo espaço, os produtores também passam a ter acesso a estruturas modernas, que possibilitam um salto de qualidade. Os equipamentos, adquiridos com o apoio da Associação Mineira de Produtores de Algodão (Amipa), possibilitam, por exemplo, um aproveitamento integral do produto. Além de extrair a fibra, é possível obter óleo a partir do caroço do algodão para combater uma praga comum na cultura, conhecida como bicudo. A torta proveniente do esmagamento do caroço também pode ser utilizada, para a produção de ração animal.

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Projeto da balança de pesagem e de equipamentos do Centro de Difusão de Tecnologias Algodoeiras


“O centro proporciona melhores condições de concorrência no mercado aos agricultores familiares. Agora eles têm acesso às mesmas tecnologias que os maiores produtores de algodão, apenas em escala diferente”, afirma Fraga. O docente acrescenta que essa infraestrutura tem potencial para dinamizar a economia regional, aumentando o interesse pela produção de algodão no norte de Minas e motivando novas parceiras, com o setor têxtil, por exemplo. “O cenário econômico e agrícola da região certamente passará por mudanças, e esse também é um dos nossos objetivos com o projeto de extensão universitária”, afirma.

Para além dos benefícios regionais, o centro será uma referência em treinamentos. Serão capacitados no local agricultores familiares brasileiros, bem como pequenos produtores de 15 países africanos com os quais o Brasil faz cooperação técnica no setor. Também serão atendidos países latino-americanos e caribenhos ligados a projetos de cooperação técnica Sul-Sul com organismos internacionais.

A concretização do centro foi possibilitada pela parceria entre a ABC/MRE, a UFLA, a Amipa, o Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a Cooperativa de Produtores Rurais de Catuti (Coopercat) e a Prefeitura de Catuti.

 

Produção de algodão no norte de Minas

Até 1970, o Norte de Minas era forte produtor de algodão. No entanto, a cultura praticamente desapareceu devido ao uso de técnicas tradicionais e ao alastramento de pragas como o bicudo. Nos últimos 10 anos, o cultivo do algodão voltou a ressurgir na região, com baixo crescimento.

A escolha da cidade de Catuti para a implantação do Centro de Difusão de Tecnologias Algodoeiras foi motivada pelas atuais características da produção local. À diferença de regiões como o Triângulo Mineiro, onde predominam as grandes propriedades de algodão, no Norte o produto advém sobretudo da agricultura familiar. Somado ao clima semiárido, esse fator torna a realidade da região semelhante à de países africanos e latino-americanos.

O professor Fraga conta que, no âmbito do Programa Brasileiro de Apoio ao Fortalecimento da Cotonicultura em Países em Desenvolvimento da África, a UFLA ofereceu o primeiro curso de capacitação para agricultores africanos em 2014, com a realização de aulas práticas em Catuti. “Nosso objetivo foi mostrar aos africanos a tecnologia aplicada na região, que poderia ser transferida para seus países”.

A partir de então, a equipe do programa começou a realizar viagens técnicas pela região, visitando produtores e unidades de beneficiamento. “Percebemos que o Norte de Minas é uma grande e diferenciada região produtora de algodão, que poderia servir de exemplo para inúmeros países, inclusive da América Latina, como Colômbia, Bolívia e Peru. O que faltava era reunir toda a infraestrutura em um único centro”, conta.

Em 2017 e 2018, foram oferecidas novas turmas do curso, também com aulas práticas em Catuti. A proposta de construção do centro começou a ser discutida e delineada com a oferta da terceira turma do curso. A partir desse momento, foram iniciadas as reuniões com as entidades parceiras. As obras começaram em 2019 e foram concluídas em 2021.