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Agricultura sustentável na prática: Projeto de extensão aplica conhecimentos científicos para nutrir pessoas, animais e plantas

Escrito por Comunicação UFLA | Publicado: Sexta, 30 Julho 2021 13:37 | Última Atualização: Sexta, 30 Julho 2021 13:39 | Acessos: 901
professor pedro e seu filho rafael
Professor Pedro e seu filho, o doutorando Rafael

A busca por uma alimentação saudável é uma tendência mundial. A preocupação com fatores climáticos e o uso de recursos naturais tem levado milhares de pessoas a optarem pelos alimentos chamados de orgânicos. Na UFLA, um projeto de extensão vinculado ao Departamento de Agricultura busca alinhar a energia renovável, o desenvolvimento sustentável e a prática da agricultura orgânica.

Assim nasceu o Sítio Trovão, em 2017, sob a orientação do professor de Agrometeorologia e de Energia na Agricultura Pedro Castro Neto. “A agricultura familiar sempre foi muito forte na minha vida, meus pais eram agricultores. Minha meta sempre foi devolver ao agricultor todo o conhecimento que recebi da agricultura. Ao trabalhar com energias renováveis e sustentabilidade, pudemos dar novas opções de renda para o agricultor familiar. E, depois da construção do laboratório de biodiesel, a criação do sítio veio como complemento, para que pudéssemos praticar e dar mais oportunidade de treinamento aos estudantes da UFLA”.

Estudantes de graduação e pós-graduação do Núcleo de Estudos em Plantas Oleaginosas, Óleos Vegetais, Gorduras e Biocombustíveis (G-Óleo) e de diversos cursos, como Agronomia, Engenharia Agrícola, Engenharia Florestal, Química, entre outros, aprendem na prática os fundamentos da agricultura orgânica e como é possível integrar as atividades da propriedade de forma a criar eficiência energética, seja com a compostagem, seja com o cultivo vegetal, seja com a formulação da ração animal, seja com os implementos agrícolas.

O doutorando em Agronomia Rafael Peron Castro explica que o carro chefe do projeto de extensão do sítio é a cultura da moringa (Moringa oleífera), uma hortaliça arbórea e oleaginosa reconhecida como um super alimento e uma planta de múltiplos usos, que pode ser encontrada nas formas de chá e farinha das folhas desidratadas. “Aqui no sítio, os resíduos de poda da moringa viram cobertura nos canteiros de hortaliça, e das folhas fazemos extratos que viram biofertilizantes para as plantas. Esse é um dos focos da minha pesquisa de doutorado”, diz.

Da granja de criação de aves poedeiras e dos três tanques de piscicultura existentes no sítio, é retirada a água para a irrigação dos cultivos. Há também um biodigestor alimentado com esterco de gado, que fornece o biofertilizante para as plantas e biogás para a desidratação das colheitas.

A agricultura orgânica sustentável é uma prática que prevê a utilização dos insumos da propriedade, como a matéria orgânica para a adubação do solo das áreas de plantio. Além de preservar os recursos naturais, a prática proporciona qualidade aos alimentos produzidos. “Esse é um modelo que tem sido exigido cada dia mais, é um mercado forte o da agricultura orgânica, estamos desenvolvendo, trabalhando e aprendendo também”, explica o pesquisador.

Além do projeto de extensão, programas de estágio e pesquisas para monografia, dissertação e tese, a propriedade abriga a empresa Olea, nascida em um processo de incubação de empresas de base tecnológica da UFLA (Inbatec), A Olea oferece comercialmente à comunidade produtos como hortícolas, frutíferas, tuberosas, plantas medicinais, aromáticas, condimentares, cereais, leguminosas e suculentas.Estudantes que participam do projeto

A estudante do oitavo período de Agronomia Amanda dos Santos Antão da Silva diz que a experiência com o sítio tem sido gratificante, ainda mais por ser de cidade grande (Volta Redonda-RJ). “Essa ideia de sustentabilidade, autossustentável, sempre me agradou, daí veio o Sítio Trovão, e os orgânicos certificados. O sistema de cultivo sem agrotóxicos (SAT) é algo muito diferente do que é ensinado em sala de aula, por isso é uma oportunidade muito boa trabalhar com isso, pois só na prática conseguimos entender a dimensão de trabalhar respeitando a natureza, e cuidando também de quem precisa dela”, comenta.

Em 2019, o sítio conseguiu a certificação orgânica pelo sistema participativo junto ao Organismo Participativo de Avaliação da Conformidade (OPAC) e é membro da Associação Sul Mineira de Agroecologia e Sustentabilidade (Sol-Minas).  Além de associar ciência à prática, os participantes do projeto recebem visitas guiadas no sítio, promovem palestras e devem lançar e-books sobre a agricultura orgânica em breve.