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UFLA NA COMUNIDADE

Professores da UFLA estruturam reserva florestal modelo - mais de 8 mil árvores foram plantadas

Escrito por Comunicação UFLA | Publicado: Terça, 21 Setembro 2021 15:18 | Última Atualização: Quinta, 23 Setembro 2021 14:25 | Acessos: 1232
Sitio Pirilampo

O projeto de estruturação de um modelo de reserva florestal legal, iniciado por professores da Universidade Federal de Lavras (UFLA) em 2018, alcançou, em 2021, resultados que a colocam em condições de ser referência para produtores e outros interessados em conhecer o manejo florestal para projetos como esse. A área já tem hoje árvores com 20 metros de altura, e o comparativo entre as imagens atuais e as de cinco anos atrás deixam evidente a transformação.

A reserva legal fica situada no Sítio Pirilampo, em Ijaci (MG), e é de propriedade do professor aposentado da UFLA Gilmar Tavares. A área poderá ser utilizada para desenvolvimento do projeto de extensão, coordenado por professores da Instituição, com o objetivo disponibilizar para todos os interessados em questões socioambientais sustentáveis um modelo de reflorestamento e recuperação de áreas degradadas, integrado ao propósito de desenvolvimento e implantação de “Poços de Carbono”, para enfrentamento do aquecimento global sistemático e ameaçador.

Com a publicação, em agosto, de relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) que descreve o quadro de crise climática e ambiental causada pelas ações do homem, e sobre a necessidade de medidas urgentes, iniciativas como essa são cada vez mais necessárias.

De acordo com o professor Gilmar Tavares, o terreno - que já conta também com uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), contínua à reserva florestal modelo - foi preparado por ele mesmo, com o uso de tecnologias socioambientais sustentáveis da Agroecologia. O professor do Departamento de Ciências Florestais (DCF/UFLA) Lucas Amaral tornou-se parceiro da iniciativa, formando as mudas em viveiros, plantando e conduzindo cerca de 8 mil árvores, de inúmeras espécies nativas. “Hoje, já temos árvores com mais de 20 metros de altura. A parceria é um sucesso nos seus propósitos. Muitos animais silvestres e pássaros já habitam a área. Já recebi solicitações de orientações para implantação de projetos semelhantes em outras localidades. Um protótipo será implantado na República Democrática do Congo, África, em parceria com a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores’’, relata Gilmar.

Para implantação da reserva florestal, em janeiro de 2018, utilizou-se uma área com cerca de 3,5 hectares, onde foram instalados diferentes modelos de plantio e diferentes espécies florestais nativas, no espaçamento 3 x 1,5 metros. Os modelos de plantio têm como objetivo a produção de madeira para lenha e serraria, mesclando espécies de rápido crescimento com outras, consideradas de interesse econômico. Para avaliar o desempenho silvicultural inicial de espécies de interesse econômico, foram utilizadas espécies com potencial madeireiro, entre elas o guapuruvu e paricá (Schizolobium parahyba), o ipê-felpudo (Zeyheria tuberculosa), a aroeira-do-sertão (Myracrodruon urundeuva), o angico-vermelho (Anadenanthera peregrina), o jatobá (Hymenaea courbaril), o guatambu (Aspidosperma polyneuron), o louro-pardo (Cordia trichotoma) e o angico-amarelo (Peltophorum dubium).

Desde 2012 é possível explorar economicamente as áreas de reserva legal. A Lei 12.651/12 (novo Código Florestal) define Reserva Legal como “área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, delimitada nos termos do art. 12, com a função de assegurar o uso econômico de modo sustentável dos recursos naturais do imóvel rural, auxiliar a conservação e a reabilitação dos processos ecológicos e promover a conservação da biodiversidade, bem como o abrigo e a proteção de fauna silvestre e da flora nativa”.

A RPPN foi reconhecida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em 2000, com o apoio do Ibama/Lavras.

Para quem tem interesse em conhecer o local e o projeto, é possível entrar em contato com os professores responsáveis pelo projeto de extensão pelos e-mails Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. e/ou Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

No ensino e na pesquisa

Além de servir como modelo de reflorestamento, a reserva florestal modelo está relacionada diretamente com o ensino e a pesquisa. Segundo o professor Lucas Amaral, o espaço tem recebido estudantes da UFLA para a realização de aulas práticas e também para o desenvolvimento de trabalhos acadêmicos. De acordo com o professor, a reserva já foi utilizada em aulas práticas de duas disciplinas lecionadas por ele. Também já foram desenvolvidos trabalhos de conclusão de curso, e uma tese de doutorado em Engenharia Florestal, do estudante Anatoly Queiroz Abreu Torres, está em andamento, com defesa prevista para o início de 2022.

Um outro produto desenvolvido dentro da reserva florestal é o projeto intitulado “Implantação florestal de espécies com potencial madeireiro em área de Reserva Legal”, coordenado pelo professor Lucas. Esses estudos têm apresentado resultados promissores para produtores que tenham interesse em cultivar espécies florestais em suas propriedades. De acordo com o professor, a exploração sustentável da Reserva Legal tem despertado o interesse pelo plantio de espécies florestais de interesse econômico. Adicionalmente, o uso de espécies florestais madeireiras e não madeireiras surge como uma alternativa para aumentar a renda da propriedade rural em médio e longo prazo, diversificar a produção, ao mesmo tempo em que favorece os mecanismos de sustentação do ecossistema e maximiza o sequestro de carbono.

Nesta área, estão sendo aplicadas as tecnologias socioambientais sustentáveis da Agroecologia e estão sendo avaliadas características importantes com relação ao recobrimento e proteção da área pelas árvores, assim como características silviculturais importantes para o processo de produção, tais como: crescimento, qualidade do fuste, tolerância ao sombreamento, resposta à desrama, dentre outros aspectos. Com esses resultados, espera-se ampliar o plantio e uso de produtos obtidos a partir de espécies nativas, difundir mais informações acerca da silvicultura destas espécies, conhecer os tratamentos silviculturais que maximizam os efeitos ecológicos destes plantios, assim como agregam valor aos produtos obtidos e, incentivar produtores rurais a utilizarem e desenvolverem sistemas agrícolas que incluam as espécies arbóreas nativas em seus processos produtivos.

Texto: Mathews de Oliveira Silva, bolsista Proat.