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ENFRENTAMENTO À PANDEMIA

LabCovid ultrapassa 9 mil testes em 2021 e registra redução no percentual de resultados positivos – Comitê UFLA avalia o cenário

Escrito por Ana Eliza Alvim | Publicado: Terça, 14 Setembro 2021 16:53 | Última Atualização: Quarta, 15 Setembro 2021 07:41 | Acessos: 292
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Entre março e junho de 2021, a média percentual de testes RT-PCR com resultados positivos para Covid-19 no Laboratório de Diagnóstico Molecular da UFLA foi de 32%, ou seja, de cada cem amostras recebidas por meio da parceria com a Fundação Ezequiel Dias (Funed), 32 eram de pacientes positivos para a doença. Depois dessa sequência de quatro meses em que a pandemia da Covid-19 teve seu pico, em julho e agosto os exames com resultados positivos reduziram em relação à média dos meses anteriores, e ficaram na média de 18%.

Com mais de 9 mil exames para diagnóstico da Covid-19 (tipo RT-PCR) realizados em 2021, o Laboratório da UFLA atende atualmente a 19 municípios - dez da microrregião de Lavras e nove da microrregião de Aiuruoca. Esse atendimento ocorre por meio de credenciamento à Funed e garante ao conjunto de municípios uma cota mínima de 1200 exames por mês. O LabCovid realiza também os exames da comunidade universitária quando há indicação pelo Ambulatório Virtual. Recentemente, o Laboratório passou a selecionar amostras para a realização de sequenciamento genético, o que precisa ser realizado em Belo Horizonte, com autorização da SES-MG e seguindo protocolos específicos de envio de amostras.

O percentual de exames com resultado positivo continua sendo acompanhado mensalmente pela equipe, para verificar a evolução. O Portal da Ciência conversou com a presidente do Comitê Especial de Emergência para enfrentamento à Covid-19 da UFLA (CEE-Covid-19-UFLA), professora Christiane Maria Barcellos Magalhães da Rocha, para atualizações sobre o cenário epidemiológico do momento.

Como devemos interpretar esses números? 

A redução no percentual de testes com resultados positivos pode estar relacionada ao cenário epidemiológico do momento na cidade e região. O número de novos casos reduziu bastante a partir de agosto na cidade (Acompanhe pelo Painel Coronavírus Lavras). O percentual de leitos ocupados também. No estado, a vacinação avança. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SES-MG), na população acima de 18 anos, a primeira dose já tem cobertura em torno de 86%, e a segunda dose está próxima de 42%. Minas Gerais apresenta cenário favorável, com todas as macrorregiões em onda verde, de acordo com o Programa Minas Consciente. Isso demonstra que a taxa de transmissão está abaixo de um (1), que os leitos estão com baixa taxa de ocupação e diminuição da incidência e óbitos. Mas é importante lembrar que o percentual de resultados positivos no LabCovid pode ter o impacto da quantidade de testes realizados em cada período, e seus resultados podem ter o impacto também das decisões de coleta a serem feitas em grupos específicos de vigilância. O número de casos novos e de mortes, que vêm baixando, são os indicadores que nos permitem avaliar melhor o cenário.

De que forma a variante Delta pode impactar no cenário da região?

A variante Delta tem taxa de transmissão bem maior, mas, segundo publicação do Centers for Disease Control and Prevention (CDC), não parece ter mais agravamento dos casos em pessoas vacinadas, e nem maior resistência às vacinas. Por isso tende a predominar. Ou seja, o aumento do número de casos é esperado. Porém, não se espera que possamos aumentar a letalidade. A vacinação avançando, em contraposição, tende a diminuir a taxa de transmissão e letalidade também. As medidas para evitar o aumento desenfreado dos casos são as mesmas que todos já conhecem e devem ser seguidas com atenção: máscaras adequadas, distanciamento de 1,5m, ventilação e limpeza/desinfecção apropriada, isolamento de casos suspeitos e confirmados e quarentena dos contatos dos casos de Covid-19, conforme orientações médicas. No caso de ondas menos restritivas, como no momento várias atividades estão sendo retomadas, o mais preocupante são aquelas atividades em que há grande número de pessoas com baixo distanciamento e sem máscaras, como festas e bares. Devemos evitar esses ambientes e buscar conviver em pequenos grupos, que mantenham os cuidados. Dessa forma, julgo que devemos considerar em nossas vidas, nesse momento, quais as prioridades devemos ter, pois nossos comportamentos determinam os nosso riscos de infecção e também impactam na nossa comunidade. 

Por que algumas pessoas morrem de Covid-19, mesmo estando vacinadas?

A vacina não é uma medida de proteção individual, mas sim de proteção coletiva. Quanto maior o número de pessoas vacinadas, menos chance de circulação viral.  No caso da vacinação contra a Covid-19, quanto mais ela avança, menos casos graves teremos e, dessa forma, menos impacto nos serviços de saúde. A imunidade individual de cada pessoa depende não só da vacina. Há uma interação de vários fatores que podem afetar a imunidade, como idade (os  mais idosos têm uma diminuição da resposta imunitária), sedentarismo, má nutrição, além de outras situações que podem diminuir a resposta imune. Por isso, mesmo tendo esquema vacinal completo, as pessoas não podem deixar de seguir os protocolos de segurança, ou seja, manter um metro e meio de distância, usar as máscaras corretamente e ter a preocupação de  higienizar constantemente as mãos. Estão enganadas aquelas pessoas que acham que, ao tomar as duas doses de vacina, podem eliminar a máscara e ir para festas e aglomerações. Acredito que um dia poderemos voltar a um normal semelhante ao anterior à pandemia, mas esse dia não está tão próximo. A vacina diminui a circulação viral e diminui o agravamento, mas não podemos relaxar nas medidas restritivas e nos protocolos.

Qual o futuro do coronavírus (Sars-Cov-2)? Com a vacinação total, ele será completamente eliminado?

É um vírus que veio para ficar. É muito difícil que seja erradicado do mundo. Poucas doenças foram erradicadas, como foi o caso da varíola. A maior parte das doenças que surgiram foram, sim, controladas.  Assim, deixam de ser uma epidemia para se tornarem endemias. As doenças novas e transmissíveis surgem em forma de epidemia, com aumento  descontrolado do número de casos. Quando essa doença se torna uma endemia? Quando o número de casos se estabiliza. Nas síndromes gripais, por exemplo, a gente tem inclusive o que chamamos de sazonalidade, com mais casos na época do inverno e alguns casos no verão, mas um número médio esperado nos mesmos meses do ano.

Neste momento, em que muitas atividades estão sendo retomadas, como é o caso das atividades escolares, as pessoas podem se sentir seguras para o retorno? O que elas precisam avaliar antes de retornar a atividades coletivas?

Em primeiro lugar, é imprescindível avaliar a situação epidemiológica (se é favorável ou não), e também a questão de risco-benefício. Mesmo em situação epidemiológica favorável, há possibilidade de ocorrerem casos naquele ambiente. Se há um motivo importante para o retorno (um benefício pretendido), é preciso analisar os riscos contrapostos aos benefícios.  No caso da UFLA, por exemplo, há um benefício importante no retorno de aulas práticas, que é a questão de evitar o prejuízo na formação do estudante e a qualidade dos futuros profissionais. Lógico que se você tem que escolher entre a vida e a formação, a vida tem prioridade. Mas os riscos reduziram muito e estamos hoje em um novo momento da pandemia - é hora de planejar o retorno gradual, focado naquelas práticas que, se ausentes, trazem prejuízos mais sérios à formação dos profissionais. Um retorno planejado e gradual é importante para que as pessoas já comecem a colocar em prática os protocolos, já que precisaremos conviver com eles por longo período ainda. 

Essas ponderações ajudam as instituições a propor os seus retornos. Mas individualmente as pessoas também precisam avaliar seu risco-benefício. Um estudante que tem algum comprometimento na imunidade talvez deva decidir não se arriscar a voltar para a sala de aula ainda, mas um estudante saudável, que está frequentando academia e realizando outras atividades, ele não terá um risco aumentado voltando para a sala de aula. Exemplo: a minha filha é universitária, ela estuda em Belo Horizonte. Durante todo esse tempo da pandemia ela estava em Lavras comigo, no ensino à distância. Neste semestre a universidade dela voltou para o ensino híbrido. Ela foi - é uma jovem saudável, sabe como deve se comportar: vai nas aulas práticas e não vai em festas neste momento.

O desafio é ir buscando o equilíbrio entre risco e benefício e determinado qual a segurança necessária para retomar determinadas atividades. Não existe risco zero, mesmo com todo mundo vacinado, então as pessoas têm que compreender que elas precisam seguir protocolos de segurança, independentemente de estarem ou não vacinadas. Seguir a ciência é compreender os mecanismos de transmissão e buscar atitudes e precauções para evitar essa transmissão. A aplicação de protocolos de segurança é baseada na ciência. 

Então, a retomada das escolas é necessária porque tem a ver com saúde mental, com desenvolvimento cognitivo, com formação profissional, etc. E temos visto instituições de ensino que retomaram atividades práticas há algum tempo e não registraram surtos, porque a adoção dos protocolos tem sido eficaz.

O que é mais importante que os protocolos de biossegurança das instituições e organizações assegurem? (qualidade de máscaras, ventilação de ambientes, número de pessoas por ambiental, higienização de superfícies, etc.)

A tríade hoje mais importante para prevenção da Covid-19 é o uso correto de máscaras, distanciamento mínimo de 1,5 metro entre pessoas e ambientes ventilados. Quando não é possível atender a um desses três quesitos, como atividades em que é preciso ficar a menos de 1,5 m de outra pessoa, ou aquelas que não se dão em local ventilado, por exemplo, são indicadas as máscaras especiais, como a KN95 ou PFF2. É importante também a higienização constante das mãos, não compartilhar objetos e, se compartilhar, usar o álcool adequado para higienização. Mas cada atividade exige protocolos específicos, por isso na UFLA temos um documento geral, e cada setor também deve desenvolver seu próprio protocolo, contemplando as especificidades.

Quando todos esses cuidados deixarão de ser necessários?

Não sei ao certo. Talvez o uso de máscara possa deixar de ser necessário quando o nível de imunização da população for maior que 70% ou 80%.  Mas o nível de imunização é diferente no nível de  vacinação; se uma vacina tem eficiência de 90%, a cada 100 vacinados espera-se que 90 estejam imunizados.  Então, os cuidados vão deixar de ser necessários quando sairmos da situação de epidemia e o número de casos tiver baixado muito. Não me arrisco a dizer quando isso vai acontecer, mas eu temo pela pressa das pessoas em abandonarem esses protocolos. O que garante a sua proteção individual são as suas medidas individuais de proteção, ou seja, você tomar cuidado com o grupo com o qual você convive, com as atividades que pratica, com os cuidados que você tem no seu ambiente de trabalho, de estudo, de convivência familiar, de convivência de amizade, etc. Se aglomerar em festas e bares, onde as pessoas ficam próximas e sem máscaras, com certeza traz o maior risco de transmissão.

Assista à live promovida pelo Peti Medicina Veterinária da UFLA. A professora Christiane esclareceu esses e outros pontos relacionados ao cenário epidemiológico.

Acompanhe os números da Covid-19 em Lavras pelo Painel Coronavírus – Lavras.

Acompanhe as informações do CEE-Covid-19-UFLA: ufla.br/coronavirus

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