Pesquisa da UFLA recebe menção honrosa do Serviço Florestal Brasileiro
Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal de Lavras (UFLA), em parceria com a Universidade Federal de Uberlândia (UFU), recebeu menção honrosa na X edição do Prêmio Serviço Florestal Brasileiro em Estudos de Economia e Mercado Florestal, promovido pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB), em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
O trabalho “Modelo integrado de inteligência territorial para precificação e priorização de ativos florestais destinados à geração de bioenergia renovável” é resultado de pesquisas iniciadas durante o doutorado do engenheiro florestal Luciano Cavalcante de Jesus França, no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Florestal (PPGEF/UFLA), sob orientação do professor Lucas Rezende Gomide, do Departamento de Ciências Florestais. Desenvolvida no Laboratório de Ciência de Dados em Manejo Florestal (Lemaf/UFLA), a pesquisa integra a tese “Sistemas de apoio à decisão espacial aplicados ao planejamento florestal”, defendida em 2022.
A X edição do Prêmio SFB (2026) teve como foco metodologias para precificação de ativos florestais e buscou reconhecer trabalhos capazes de contribuir para o desenvolvimento científico, tecnológico e a proposição de soluções relacionadas aos desafios do setor florestal brasileiro.
A menção honrosa concedida pelo Serviço Florestal Brasileiro destaca a contribuição da pesquisa desenvolvida na UFLA para aproximar ciência, planejamento territorial e decisões de investimento, com aplicação em uma área estratégica para o País, a expansão de sistemas de bioenergia baseados em recursos florestais renováveis.
Inteligência territorial aplicada ao planejamento florestal
O estudo propõe integrar geotecnologias, análise multicritério e otimização matemática para responder a uma questão recorrente em grandes investimentos florestais, especialmente onde localizar empreendimentos e como estruturar territorialmente sua base de suprimento de madeira de forma economicamente eficiente e ambientalmente adequada.
A metodologia combinou o Sistema de Informações Geográficas (SIG), o método de apoio multicritério à decisão AHP (Analytic Hierarchy Process) e um modelo de programação linear inteira mista. O sistema considera simultaneamente variáveis territoriais, ambientais, logísticas e econômicas e inclui custos de transporte, colheita, implantação florestal, aquisição e arrendamento de terras, fomento florestal e compra de madeira disponível no mercado.
A pesquisa foi aplicada à Bacia Hidrográfica do Rio Grande, em Minas Gerais, região com cerca de 86 mil km² e forte presença de atividades agroindustriais e florestais. A análise integrou dados de plantações existentes, infraestrutura, produtividade florestal, valor da terra e diferentes condicionantes ambientais e territoriais.
Uma das etapas da pesquisa utilizou 17 camadas espaciais para identificar áreas restritivas, enquanto diferentes critérios de aptidão foram utilizados para estabelecer zonas preferenciais ao desenvolvimento dos empreendimentos. Entre os fatores analisados estão a proximidade de plantações comerciais, estoque de madeira, rodovias, ferrovias, linhas de transmissão, produtividade do eucalipto e valor da terra.
"Os resultados mostraram que aproximadamente 39% da área analisada apresentava algum tipo de restrição territorial, enquanto somente cerca de 3% alcançou a classe de alta aptidão considerada pelo modelo. A análise evidencia que decisões relacionadas a grandes investimentos florestais não devem considerar isoladamente disponibilidade de terra ou produtividade, mas a interação entre infraestrutura, mercado, logística, condições ambientais e oferta de matéria-prima", explica os pesquisadores.
Modelo também avalia estratégias de suprimento de madeira
Além do zoneamento territorial, a pesquisa desenvolveu um modelo de otimização para definir estratégias de suprimento de madeira. Entre as alternativas avaliadas estão a aquisição de terras, o arrendamento, o fomento florestal e a compra de madeira de povoamentos já existentes. No cenário de menor custo identificado pelo estudo, o investimento calculado foi de aproximadamente US$ 103,5 milhões, associado a cerca de 27,2 mil hectares necessários ao suprimento do empreendimento modelado.
"O estudo mostra ainda que a decisão não depende exclusivamente da escolha de terras de menor custo. A proximidade das plantações florestais foi o critério de maior peso no modelo espacial, seguida pelo estoque disponível de madeira, pela proximidade de rodovias e pelas linhas de transmissão. Os resultados evidenciam, assim, o papel central da logística na competitividade de projetos de bioenergia florestal. Segundo a pesquisa, a estrutura metodológica é flexível e pode ser adaptada para diferentes regiões e escalas, oferecendo subsídios para investidores, empresas dos setores florestal e energético, produtores rurais e gestores públicos envolvidos no planejamento territorial e na expansão da bioenergia de base florestal", destaca os pesquisadores.


