Cooperação Sul-Sul fortalece cadeia do algodão e agricultura familiar no Cameroun
Uma missão brasileira realizou, no Cameroun, entre os dias 4 e 16 de março, a capacitação de 82 técnicos locais em mecanização do cultivo de algodão e métodos de extensão rural. A iniciativa integra o projeto de cooperação técnica “Aumento do Potencial de Produção de Algodão em Camarões”, que tem como objetivo promover maior eficiência e sustentabilidade na produção algodoeira do país africano por meio da adoção de tecnologias acessíveis e de abordagens participativas.
A ação de cooperação Sul-Sul é coordenada pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores (MRE), em parceria com a Universidade Federal de Lavras (UFLA), a Cooperativa de Produtores de Catuti (COOPERCAT) e o governo do Cameroun.
Os treinamentos, ministrados pelos especialistas brasileiros da UFLA, foram realizados no Centro de Treinamento da Sociedade Produtorea de Algodão do Cameroun –Sodecoton, na ciadade de Kaélé, com carga horária de 40 horas cada, combinando atividades teóricas e práticas. Os conteúdos abordaram temas como fontes de potência — incluindo tratores e motores —, preparo do solo, semeadura, pulverização e metodologias participativas de extensão rural, como o Diagnóstico Rápido Participativo Emancipador (DRPE).
Os benefícios esperados com a implementação das tecnologias apresentadas vão além do aumento da produtividade. A mecanização pode elevar a produção em até 71%, reduzir perdas na colheita e diminuir impurezas, além de reduzir significativamente o esforço físico necessário nas atividades agrícolas e otimizar o uso da mão de obra disponível.
Para pequenos produtores, soluções de baixo custo, como triciclos motorizados, colheitadeiras de linha única e motocicletas adaptadas, podem ser integradas a sistemas de cultivo consorciado, contribuindo para a melhoria da qualidade das fibras, o fortalecimento da renda familiar e a permanência das famílias no campo.
No campo da extensão rural, as metodologias participativas adotadas colocam o agricultor como protagonista do processo produtivo. Experiências realizadas em Unidades Técnicas Demonstrativas (UTD) e em Demonstrações de Resultados (DR) contribuem para reduzir riscos, validar ganhos práticos e estimular ações coletivas, como compras conjuntas de insumos e estratégias compartilhadas de comercialização, promovendo a adaptação das tecnologias às realidades locais.
A analista de projetos da ABC, Ana Carla do Valle Schafflor Mello, destacou a importância de adaptar as tecnologias às condições dos países parceiros da cooperação brasileira. “Ao invés de simplesmente transferir tecnologias prontas, a metodologia participativa constrói soluções em parceria com os agricultores. Isso resulta na adoção de tecnologias mais simples, baseadas nos recursos locais e nos sistemas de produção da agricultura familiar, sendo, portanto, mais viáveis economicamente e sustentáveis”, afirmou.
Espera-se que os 82 técnicos capacitados sejam capazes de disseminar os conhecimentos adquiridos entre os produtores locais e aplicar as técnicas em todas as etapas do processo produtivo, desde o preparo do solo até a semeadura, fertilização, pulverização e calibração de equipamentos, contribuindo para o fortalecimento sustentável da cadeia produtiva do algodão no país.
A missão contou ainda com a participação de instituições camaronesas, como os Ministérios das Relações Exteriores (Minrex) e da Agricultura e Desenvolvimento Rural (Minader), a Sociedade de Desenvolvimento do Algodão (Sodecoton).
Fonte: Comunicação ABC-MRE - Janaína Plessmann


