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Nature Climate Change

Artigo com professor da UFLA mostra a relação entre estoque de carbono e biodiversidade

Escrito por Camila Caetano | Publicado: Terça, 28 Agosto 2018 11:27 | Última Atualização: Terça, 21 Setembro 2021 13:24 | Acessos: 1637

O professor Júlio Louzada, do Programa de Pós-Graduação em Ecologia Aplicada da Universidade Federal de Lavras (UFLA), participou de um estudo inédito publicado na renomada revista Nature Climate Change. A pesquisa alerta que apenas a conservação de estoques de carbono não é garantia de conservação da biodiversidade.

O estudo é parte da produção acadêmica da Rede Amazônia Sustentável, que integra mais de cem pesquisadores. Foram analisadas 39 microbacias do Pará, desde áreas de pastagens até áreas de florestas primárias sem qualquer distúrbio. Os pesquisadores avaliaram a região, durante 18 meses, com medições do conteúdo de carbono e da diversidade de espécies de plantas, pássaros e besouros em 234 áreas.

O professor Júlio Louzada salienta a preocupação dos pesquisadores com relação às atuais políticas de conservação. “Há áreas que tem elevada biodiversidade e nem tanto volume de carbono e se formos usar a atual lógica, áreas assim seriam degradadas e perderíamos a sua biodiversidade. As atuais políticas públicas caminham para uma supervalorização de áreas com grandes quantidades de carbono, visto que a biodiversidade ainda não se tornou algo tão atrativo para o mercado. Nossa pesquisa mostrou que nem sempre que se consegue conservar o estoque de carbono é possível preservar a biodiversidade”.

Até então, acreditava-se que ao preservar grandes estoques de carbono, automaticamente, a biodiversidade estaria garantida. “Uma empresa dos EUA, por exemplo, lança muito carbono na atmosfera, e para compensar esse dano, ela pode comprar carbono de outro local, como das florestas tropicais. Esse movimento resultou em grande interesse nos estoques mundiais de carbono”, destaca o professor Louzada.

A pesquisa mostra que a relação entre carbono estocado e biodiversidade ocorre, só que até determinado ponto. “Nas florestas mais conservadas e sem distúrbio essa relação é bem menor que nas florestas secundárias, por exemplo, pois há outros fatores que interferem na biodiversidade, como as interações ecológicas e heterogeneidade microclimática”.

Desta forma, os pesquisadores chegaram à conclusão de que é necessário realizar um planejamento mais integrado. “Políticas públicas focadas exclusivamente na conservação de maiores estoques de carbono não são sinônimo de maior biodiversidade e medidas conservacionistas mais elaboradas precisam ser colocadas em pauta”. Os pesquisadores salientam que é possível balancear os ganhos com a conservação de carbono e a biodiversidade, assim, garante-se a conservação e reduz as emissões desnecessárias de carbono para a atmosfera. 

Esse conteúdo de popularização da ciência foi produzido com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais - Fapemig.