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Saúde e Meio Ambiente

Com o uso de bactérias, pesquisadores do DBI removem compostos tóxicos da água

Escrito por Pollyanna Dias | Publicado: Quarta, 16 Janeiro 2019 14:01 | Última Atualização: Sexta, 18 Janeiro 2019 09:30 | Acessos: 874
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Nocivos à saúde e ao meio ambiente, metais pesados como chumbo e cádmio estão na água aparentemente pura e cristalina que chega às torneiras. Originados do esgoto industrial, mineradoras e atividades agropecuárias, despejos em mananciais destinados ao consumo humano atravessam estações de tratamento que adotam processos ineficientes de remoção de alguns compostos. Com um procedimento barato e seguro, uma pesquisa do Departamento de Biologia (DBI) da Universidade Federal de Lavras (UFLA) removeu metais pesados da água com o uso da biomassa das bactérias.

Em laboratório, seis microrganismos foram testados até encontrar a espécie mais eficiente para a remoção dos metais pesados em efluentes líquidos: a bactéria Serratia marcescens.  Com o estudo, em parceria com a universidade portuguesa do Algarve, pesquisadores retiraram todo o chumbo encontrado na água, 50% de cádmio e 15% de zinco.

A professora do DBI, Cristina Batista, explica que, naturalmente, baixas concentrações de metais estão presentes nas águas. Porém, o próprio ambiente elimina as impurezas a partir do processo natural de recuperação do corpo d´água, chamado de autodepuração. “Já a indústria elimina elementos químicos tóxicos na água que não são eliminados. As empresas adotam tratamentos químico e físico, bastante caros, desses contaminantes. Por isso, testamos biomassa de bactéria para remover esses compostos de forma eficiente e com baixo custo”, ressalta.

Primeiro, os pesquisadores selecionaram bactérias encontradas em amostras de água de uma lavoura do Triângulo Mineiro, com alta concentração de cádmio. Depois, utilizaram os mesmos microrganismos selecionados para remover poluentes, segundo variações no PH da água e concentrações do metal.

O pós-doutor em Microbiologia Gustavo Magno dos Reis Ferreira esclarece que a atração físico-química entre metais pesados e a parede celular das bactérias permitiu a limpeza da água contaminada. “A afinidade das moléculas das bactérias, de carga positiva, com os elétrons (carga negativa) dos metais pesados faz com que eles se aproximem. Dessa forma, os metais que estão no líquido são absorvidos pela biomassa da bactéria. Com o tratamento, então é possível recuperar essa biomassa e eliminar o metal pesado que estava na água”, argumenta.

Embora a água seja tratada, por questão de segurança, ela não é indicada nem para consumo humano nem para irrigação de atividades agrícolas. “Limpa, a água pode ser utilizada para irrigação de área de reflorestamento, sem contato direto com ser humano ou animais que entrarão na cadeia alimentar”, assegura o pós-doutor em Microbiologia.

Saúde

E onde entram os riscos dos metais pesados para a saúde? Por meio da cadeia alimentar, metais pesados presentes em águas contaminadas podem debilitar o corpo humano e causar câncer, por exemplo. Em contato com o organismo, esses metais acabam atraindo elementos essenciais do corpo, como proteínas e enzimas. Eles se unem a elas e impedem que funcionem normalmente.

Chumbo – metal pesado largamente utilizado em processos de soldagem, na construção civil, na indústria de munições e tintas. É um dos mais perigosos entre eles, afetando principalmente os sistemas nervosos central e periférico, medula óssea e rins.

Cádmio – metal pesado utilizado principalmente na indústria de baterias e na galvanoplastia. Esse elemento pode atingir órgãos vitais como rins, fígado e pulmões. A intoxicação por cádmio pode provocar danos no sistema ósseo e cânceres.

  

Reportagem: Pollyanna Dias, jornalista- bolsista Dcom/Fapemig

Edição dos Vídeos: Luís Felipe Souza Santos  - bolsista  Dcom/UFLA  

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