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Alimentação

Pesquisa da UFLA comprova que o jejum intermitente é eficaz no emagrecimento

Escrito por Greicielle Santos | Publicado: Quarta, 20 Março 2019 08:49 | Última Atualização: Quarta, 20 Março 2019 09:23 | Acessos: 2697
Professor Wilson César de Abreu

Uma pesquisa da Universidade Federal de Lavras (UFLA) confirmou que um tipo de jejum intermitente é eficaz para a perda de gordura: o 16/8. Nesse tipo de dieta, o indivíduo mantém jejum por um período de 16 horas, e uma alimentação regrada nas demais 8 horas do dia. Mas, tudo com um acompanhamento nutricional.

A pesquisa, realizada pelo professor Wilson César de Abreu, do Departamento de Nutrição (DNU/UFLA), e pela pesquisadora Daiani Evangelista Ribeiro, contou com voluntários que apresentavam obesidade e sobrepeso, sendo divididos em dois grupos de pesquisa.

Um grupo realizou uma dieta tradicional, ou seja, uma alimentação diária equilibrada, com uma restrição energética contínua. Nesse grupo os voluntários ingeriram uma dieta hipocalórica, com déficit energético de 20%, distribuída em quatro ou cinco refeições ao longo do dia, respeitando o hábito da pessoa. Já o outro grupo realizou o jejum intermitente 16/8, com uma dieta hipocalórica com déficit energético de 20% distribuído em quatro refeições programadas entre 12h e 20h.

Semanalmente, os grupos participavam de atividades físicas (três treinos por semana) e tinham a liberdade de a qualquer momento solicitar a mudança na dieta, caso não se adaptassem. Porém, o valor energético e a composição nutricional da dieta foram sempre mantidos. "Cada pessoa tem uma necessidade, por isso o acompanhamento profissional é importante, pois é realizada uma dieta específica para cada pessoa. A restrição é a mesma, porém dentro da necessidade de cada um." explica o professor Wilson.

Após oito semanas, os pesquisadores verificaram que os voluntários perderam em média 5 kg de gordura, tanto do grupo da dieta tradicional quanto do jejum 16/8. Sendo assim, a pesquisa comprovou que o jejum intermitente também é uma ferramenta eficaz no emagrecimento. "O que temos buscado são alternativas para realização de dieta, pois nem sempre as pessoas se adaptam com a restrição de alimentos todos os dias, é preciso ter estratégias diferentes para fornecer para as pessoas. É preciso adesão às rotinas de alimentação propostas." ressalta o professor.

Acompanhamento profissional

Embora haja controvérsia na literatura científica, o jejum intermitente é considerado, por muitos pesquisadores, uma alternativa viável ao método tradicional de emagrecimento. Porém, nenhuma estratégia deve ser realizada por conta própria. O acompanhamento profissional é essencial para realizar a redução de peso de maneira adequada.

A proposta do estudo foi de usar um protocolo de jejum intermitente menos restritivo, o que pode ter contribuído para a boa adesão dos voluntários. Cabe ressaltar, que a estratégia tradicional foi também muito eficiente, ou seja, o estudo mostra que mais importante que o tipo de estratégia é a adesão do paciente ao tratamento.

Eles explicam que em alguns protocolos de jejum intermitente, há uma alta restrição de energia nos dias de jejum, o que pode fazer com que o paciente tenha um comportamento de ingestão compensatória nos dias sem jejum. Isso pode prejudicar os resultados e trazer prejuízos à saúde.

Os pesquisadores também ressaltam que durante o período de privação de alimento a ingestão de bebidas não calóricas é sempre indicada, como a água, um chá e até mesmo um cafezinho sem açúcar.

"Emagrecimento não é um processo de curto prazo, e sim de médio e longo prazo, pois ele envolve mudança de hábito alimentar. Nosso objetivo é ajudar o indivíduo a ter autonomia para manter uma dieta saudável, equilibrada e controlar o peso por conta própria." explica o professor Wilson.

Um alerta da OMS

A Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta a obesidade como um dos maiores problemas de saúde pública no mundo. A projeção é que, em 2025, cerca de 2,3 bilhões de adultos estejam com sobrepeso; e mais de 700 milhões, obesos. A obesidade em médio e longo prazo vai favorecer a ocorrência de outras doenças, apresentando risco aumentado de doenças do aparelho circulatório, cardiovasculares, diabetes tipo 2, hipertensão arterial, alguns tipos de câncer entre outras.

Reportagem: Greicielle dos Santos - bolsista Dcom/Fapemig

Edição do vídeo: Maik Ferreira  - estagiário  Dcom/UFLA 

 

 

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