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Veículos Autônomos

Pesquisa aponta o que se conhece a respeito de veículos autônomos no mundo

Escrito por DCOM | Publicado: Quarta, 10 Abril 2019 10:55 | Última Atualização: Quinta, 11 Abril 2019 11:26 | Acessos: 717

Estudo multidepartamental mostra, entre outras coisas, que a incorporação de veículos autônomos na sociedade vai impactar diretamente nos modelos de negócios que conhecemos

pesquisadores da ufla que integram o projeto
Pesquisadores do projeto - da esquerda para a direita: Fábio (Pós-doutorando) , Prof. Danilo (DEG), Prof. Arthur (DEG), Prof Zambalde (DCC), Prof Joel (DAE) e Bruna (Doutora)

Muito se fala sobre os veículos autônomos (AVs), um meio de transporte que, guiado por um sistema de orientação, vai a qualquer lugar sem a necessidade de um motorista humano. A ideia, que mais parece uma cena de filme de ficção científica, já virou realidade. Ciência e tecnologia mostram diversas possibilidades a cada dia.

São muitas pesquisas sobre esses veículos autônomos ou inteligentes, mas qual área tem se destacado? Sobre qual ainda falta conhecimento? Como avaliar estes avanços? Baseado nessas indagações, surgiu um projeto dos departamentos de Administração e Economia (DAE) e de Engenharia (DEG) da UFLA, realizado em parceria com a Universidade Paris-Saclay, da França, para compreender o campo de estudos na área. Para isso, foi realizada uma revisão bibliométrica e cienciométrica* da pesquisa em veículos autônomos, com o intuito de identificar suas principais características, a evolução dos temas, e quais seriam as possíveis tendências para futuros estudos.  

A pesquisa teve início há pouco mais de dois anos, graças a um acordo de cooperação entre as duas instituições, como parte de um dos projetos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), realizado pelo Laboratório de Mobilidade Terrestre (LMT) com o objetivo de aprimorar a internacionalização da universidade. Entre os estudos integrantes do projeto, estão as teses de doutorado em Administração dos estudantes Rodrigo Marçal Gandia e Bruna Habib Cavazza, e também do pós-doutorando Fabio Antonialli, sob orientação dos professores Arthur Miranda Neto, Danilo Alves de Lima, Joel Yutaka Sugano, Andre Luiz Zambalde e da professora francesa Isabelle Nicolai. Os trabalhos resultaram na publicação do artigo: “Autonomous vehicles: scientometric and bibliometric review, apresentado em Paris, no “25th Gerpisa International Colloquium. R/Evolutions. New technologies and services in the automotive industry”, e posteriormente, publicado no Transport Reviews Journal.

Os autores buscaram os artigos na base de dados Web of Science, resultando em um total de 10.580 artigos de todas as áreas do conhecimento; a partir daí, foi feita uma análise descritiva para saber o número de publicações por ano, tema e por país. O software CiteSpace também foi utilizado para análise. “Nós buscamos na literatura para entender o que vem sendo publicado sobre veículos autônomos no mundo e em todas as áreas. Nossa pesquisa foi inicial e genérica; procuramos entender o campo de estudos de uma maneira geral,” comenta o pós-doutorando Fábio Antonialli.

Resultados

Doutorando Rodrigo e a professora francesa Isabelle NicolaiOs resultados da pesquisa mostraram que o campo de estudos sobre veículos autônomos é heterogêneo, estando presente em 96 categorias científicas, sendo registrada uma demanda crescente ao longo do tempo, segundo explica a doutoranda Bruna. “Notamos a revolução histórica das publicações no começo nos anos 2000 para frente. Observamos que, entre 2004 e 2005, os desafios públicos para avançar pesquisas e desenvolvimentos em veículos autônomos tiveram grande impacto. Depois, o foco das pesquisas mudou para o ambiente. De forma geral, a ciência em todas as áreas de conhecimento cresceu de 8 a 9 %, já a pesquisa cresceu 39%. Isso quer dizer que tem muita gente pesquisando sobre isso ”, ressalta.

De acordo com o doutorando Rodrigo, embora haja predominância de ciências relacionadas à evolução técnica dos veículos, como as engenharias, há uma “corrida” em direção à automação que vai além de fatores tecnológicos, mostrando a necessidade de se compreender aspectos mais amplos dessa indústria, como por exemplo: fatores de mercado, questões econômicas, gerenciais, éticas e legais. Por isso, são necessários estudos futuros em temáticas pluridisciplinares para o sucesso da inserção de tais veículos no mercado. 

Doutorando Rodrigo e a professora francesa Isabelle Nicolai

“Nós, do DAE, dedicamos esforços para compreender como o campo de (administração) pode auxiliar no desenvolvimento dos VAs”, conta Rodrigo.

 
Modelos de negócios e Veículos Autônomos

A presença de veículos autônomos nas cidades vai impactar diretamente na forma de vida da sociedade. “A introdução de veículos autônomos no Brasil ou em qualquer lugar do mundo, vai mudar a forma das pessoas fazerem negócio. Não é apenas o veículo, tem muitas coisas envolvidas em termos de negócios. Por exemplo: com estes veículos rodando sozinhos haverá mudança nas estruturas das casas, das ruas e em relação a outros fatores como a políticas públicas. Isto tudo se reflete na parte de business que são os modelos negócios”, explica o professor Joel.

Para o professor Arthur de Miranda Neto (DEG), coordenador de Articulação Interinstitucional do LMT, a inclusão de novas modalidades de transportes na vida das pessoas apresenta um leque de desafios e as parcerias com outras áreas são fundamentais. “Possibilitar a chegada de veículos autônomos no Brasil é algo complexo, que integra  várias áreas, porque se você pensar em regulamentação, e não pensar em modelos de negócios, como que você vai criar uma regra que freia o avanço tecnológico e o interesse da indústria em investir? A engenharia dá o suporte tecnológico, e a Administração nos ajuda a mostrar quais são os cenários que essa tecnologia vai encontrar quando entrar no mercado.”

* A bibliometria é uma técnica para avaliação dos índices de produção e disseminação do conhecimento científico, utilizando como objetos de estudo para isso: livros, documentos, revistas, artigos, autores e usuários. Já a cienciometria utiliza as pesquisas com bases em disciplinas, assuntos, áreas, campos, indicadores de ciência, tecnologia e inovação. 

Reportagem: Karina Mascarenhas, jornalista - bolsista Dcom/Fapemig

 

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