Ir direto para menu de acessibilidade.
Alimentação

Saiba como o método intuitivo aplicado à alimentação pode ajudar crianças a ter uma vida mais saudável

Escrito por Karina Mascarenhas | Publicado: Sexta, 26 Abril 2019 14:16 | Última Atualização: Segunda, 29 Abril 2019 12:56 | Acessos: 679

Educação Alimentar e Nutricional foi realizada por meio de uma adaptação da metodologia criada por Johann Heinrich Pestalozzi

 Em uma tarde qualquer o pequeno João¹ de 7 anos, chega ao Centro de Apoio à Criança e ao Adolescente (Ceacad – Projeto Semearte) para participar do projeto “Método intuitivo como metodologia inovadora para a prática em educação alimentar e nutricional”. Ele se senta junto aos colegas e recebe das orientadoras uma beterraba; curioso, ele a observa, cheira, aperta. João nunca havia visto aquilo, por isso logo surgem as dúvidas: seria algo de comer? Se for, como é feito o preparo? A beterraba é uma fruta? Como seria plantada? Por que ele teria que comer aquilo?

Os questionamentos do menino proporcionam um aprendizado inspirado em orientações do método intuitivo, criado no século XVIII pelo suíço Johann Heinrich Pestalozzi. O sistema de ensino propõe o desenvolvimento das habilidades naturais do sujeito apresentadas através de estímulos. “Neste método intuitivo, o próprio educando, após observar, tocar, analisar e discutir sobre determinada questão, chega aos conceitos por si próprio. Dessa forma, além de estimular o aprendizado, ele desenvolve o senso crítico e a autonomia perante suas escolhas alimentares”, explica a mestranda em Nutrição da UFLA Monique Louise Cassimiro Inácio.

A proposta inovadora de se usar o método intuitivo na educação alimentar partiu do Departamento de Nutrição da Universidade Federal de Lavras (DNU/UFLA) e foi realizada em parceria com a Prefeitura Municipal de Lavras. “Nesse método, são reunidas diferentes áreas de conhecimento, para que o aprendizado se torne interligado; e uma informação vá se unindo a outra. Assim, o educando aprende de uma forma que ele não esquece mais, diferentemente do sistema convencional, no qual se aprende uma disciplina por vez”, explica o professor Michel Cardoso de Angelis Pereira, coordenador da pesquisa.

O estudo fez parte das dissertações  de Monique e  Fernanda Costa Pereira, e foi realizado durante seis meses com crianças e adolescentes de 5 a 16 anos, de duas instituições de apoio social em Lavras: o Ceacad e o projeto social da Associação Atlética do Banco do Brasil (AABB).

As crianças tiveram um aprendizado baseado na nova classificação composta pelo Guia Alimentar para a População Brasileira, participando de teatro, oficina culinária e receberam informações com relação à publicidade negativa de alimentos. As pesquisadoras levaram alimentos próximos à realidade delas, e alguns ainda desconhecidos. Assim, as crianças conheceram o alimento a partir dele próprio, através de fatores sociais, culturais, nutricionais e de higiene.

Para a pesquisa, primeiro foi feito um levantamento sobre o hábito alimentar das crianças e de suas famílias, como relata Monique. “Fizemos a avaliação inicial das crianças para identificarmos o que elas conhecem sobre alimentação. Também falamos com os pais, a fim de compreender o comportamento alimentar dos filhos. Depois, entramos com as intervenções baseadas no Guia Alimentar para a População Brasileira”.

Para avaliar os resultados das intervenções, as pesquisadoras realizaram, posteriormente, outra avaliação, com entrevista, e o resultado foi surpreendente. “A entrevista é um modo mais aberto para essas crianças falarem qualquer coisa, já que são muito espontâneas. Elas relataram e demonstraram ter aprendido bastante conteúdo”, diz Monique.

Até o momento, já foram realizadas as primeiras análises dos dados da pesquisa, comparando o método convencional, baseado em aulas expositivas de forma tradicional (através do simples repasse de informações às crianças), com o intuitivo, para saber se este último é eficiente no ensino da educação alimentar nutricional, como explica Fernanda. “Por meio das análises prévias, constatamos que o método intuitivo foi melhor entre os escolares (7 a 9 anos) e adolescentes (10 a 19 anos). Já para os pré-escolares (5 e 6 anos), tanto o método intuitivo quanto o método expositivo apresentaram efetividade. Após o término das análises, iremos divulgar os dados para a comunidade científica e também para a comunidade em geral”. As pesquisadoras avaliaram os dois métodos (expositivo e intuitivo juntos), por isso chegaram a este resultado. O professor Michel complementa: “são muitas informações que elas colheram e isso vai ser muito importante não só para a área de atuação do nutricionista, mas também para os profissionais que trabalham com alimentação e nutrição, já que é um método novo na área de saúde”.

Para o professor Michel, além da base científica proporcionada pela pesquisa, ela apresenta, acima de tudo, um viés social. “Estamos fazendo um trabalho de aproximação para tentar diminuir a desigualdade social dessas crianças, já que muitas são de grande vulnerabilidade econômica, social e até de carência emotiva e afetiva. A presença das mestrandas na vida dessas crianças as incentiva a estudar e mostra que a universidade pública é para todos. ”

O estudo teve início em janeiro de 2018 com 246 crianças e adolescentes e as intervenções foram realizadas semanalmente.

[1] A narrativa é baseada na experiência do projeto, mas o nome do personagem é fictício, para que se preserve a identidade das crianças.

 

 

 

Reportagem: Karina Mascarenhas, jornalista - bolsista Dcom/Fapemig

Edição do vídeo: Rafael de Paiva  - estagiário  Dcom/UFLA 

Atenção! As notícias mais antigas (anteriores a Maio/2018) estão disponíveis em nosso repositório de notícias no endereço www.ufla.br/dcom.