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Dia Mundial do Gato

A química por trás do carinho felino

Escrito por DCOM | Publicado: Segunda, 17 Fevereiro 2020 17:21 | Última Atualização: Segunda, 27 Setembro 2021 13:54
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Imagem: Pexels

Gatos costumam acariciar as pessoas com um envolvente roçar de seu corpo, que começa com a cabeça e termina com a cauda. É comum eles agirem assim também com objetos e coisas, o que sugere que o comportamento vai além da demonstração de afeto. Que outro sentido está por trás dessa atitude felina?
“Ao esfregar o corpo em pessoas e objetos, o gato manifesta o chamado comportamento afiliativo, comunicando seu pertencimento social. Essa é uma forma de
demarcar um ambiente familiar, produzindo a sensação de tranquilidade necessária ao seu bem-estar”, explica o professor do Departamento de Medicina Veterinária da UFLA Sérgio Bambirra, especialista em bem-estar e comportamento animal.
Essa forma de comunicação está associada ao funcionamento de glândulas situadas em diferentes partes do corpo do animal, que secretam substâncias químicas voláteis conhecidas como feromônios - também produzidas por outras espécies, inclusive pelo ser humano. Essas substâncias aderem nas pessoas e na superfície dos objetos e são reconhecidas apenas pelos próprios gatos.professor gatos
Os feromônios estimulam um órgão especial conhecido como vomeronasal, ou órgão de Jacobson, localizado entre a parte interna da boca e o nariz do gato. O caminho neuronal percorrido pelo estímulo até o cérebro do felino não coincide com o da percepção olfativa. Como consequência, os feromônios são processados separadamente dos odores sentidos pelo nariz em uma parte do cérebro conhecido como bulbo acessório.
A produção de feromônio associada ao bem-estar ajuda a explicar por que a mudança de um ambiente familiar gera tanto desconforto nos felinos. “No atendimento médico-veterinário, por exemplo, esse estranhamento pode gerar um problema conhecido como “síndrome do consultório veterinário”. Ao ser levado para um lugar com muitos estímulos diferentes - pessoas, ruídos, cheiros de muitos outros animais -, o gato associa a ida ao veterinário como um evento muito ruim, amedrontador”, afirma o docente.
Para reduzir o trauma causado nos bichanos, clínicas veterinárias têm aderido ao conceito “cat friendly” e criado um ambiente mais aconchegante, com consultórios exclusivos para gatos, odorizados com feromônios sintéticos similares aos naturais e um atendimento que proporciona mais liberdade ao animal.


De companheiros de bruxas a animais de estimação

Endeusado no Egito Antigo, o gato foi, até recentemente, uma espécie muito estigmatizada pela sociedade ocidental. Personagem central de estórias de terror, apresentado como companheiro inseparável das bruxas, apontado como símbolo de azar, o felino sequer era considerado capaz de se afeiçoar às pessoas. “Essa visão negativa do gato é uma herança da Idade Média. Mulheres consideradas feiticeiras, e perseguidas pelos Tribunais da Inquisição, eram vistas acompanhadas por gatos. Assim, surgiu a lenda de que o gato, principalmente o preto, é
um animal amaldiçoado, um bicho de estimação de feiticeiras”, explica o professor.
A relação social com o gato começou a mudar com a intensificação da urbanização que, no Brasil, só ocorreu a partir da década de 1960. A verticalização do espaço urbano, e a consequente redução dos ambientes de moradia, fez crescer a busca por animais de estimação mais independentes e com menor exigência de atenção do que os cães. 
“Foi nesse contexto que cresceu, de forma acentuada, a escolha do gato como um pet e que o estigma sofrido por tantos séculos começou a ser quebrado”. O professor Bambirra enfatiza que o gato é um animal extremamente sociável, mas sua manifestação de afeto é muito mais sutil. Por isso, é muito importante saber o que seu comportamento quer dizer.


Decifrando os bichanos

Além da “roçadinha”, outras atitudes felinas também envolvem a produção de feromônios, associados ou não a outras formas de estímulos. Aprenda a interpretá-las:

Massagem com as patas: pode ser considerada a primeira manifestação de  comportamento afiliativo da espécie. O filhote massageia sua mãe durante o aleitamento para estimular as glândulas mamárias, mas também para deixar seu cheiro na mãe e ser impregnado pelo cheiro dela. Esse comportamento é repetido durante a vida com pessoas e objetos, quando o animal se encontra em situações muito relaxantes e confortáveis.


Arranhadura: o hábito de arranhar sofás e outros objetos também é uma manifestação de comportamento afiliativo, acompanhada por marcações visuais. O comportamento também é uma forma natural de remover uma cutícula que cresce debaixo das garras do felino. 

Borrifada ou spray de urina: forma de demarcação territorial por meio da pulverização de pequenas quantidades de urina contendo feromônios, sobre superfícies - geralmente verticais - e objetos. Existem, no mercado, feromônios sintéticos que imitam os odores naturais exalados pelos gatos. Essas substâncias podem ser usadas para ajudar na adaptação a ambientes e 
na melhoria de problemas de marcação de urina e arranhadura de objetos. Embora não possuam contra-indicação, o ideal é que os produtos sejam usados com prescrição veterinária.

 

Reportagem: Gláucia Mendes jornalista DCOM / UFLA

Esse conteúdo de popularização da ciência foi produzido com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais - Fapemig.

 
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