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PESQUISA

Pesquisa de egresso da UFLA é publicada na revista Methods in Ecology and Evolution

Escrito por Comunicação UFLA | Publicado: Quarta, 21 Julho 2021 17:21 | Última Atualização: Quarta, 21 Julho 2021 17:26 | Acessos: 607
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Foi publicado no dia 14/7, na revista Methods in Ecology and Evolution (A1 em Ciências Agrárias, JCR de 7.78), o artigo de pesquisa “Estrutura e diversidade das florestas tropicais: uma comparação de escolhas metodológicas’’, fruto da tese de doutorado de Cleber Rodrigo de Souza, ex-aluno da Universidade Federal de Lavras (UFLA), orientado pelo professor Rubens Manoel dos Santos, da Engenharia Florestal. O artigo, que contou com a participação de pesquisadores de outras instituições, apresenta uma contribuição importante para os estudos florestais, por demonstrar os riscos da utilização de metodologias de outros biomas, como da floresta amazônica, em florestas tropicais secas (decíduas e semidecíduas). 

De acordo com Cléber, a coleta de dados por inventário florestal é um processo essencial para o conhecimento da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos das florestas. Nesse processo, um conjunto de amostras é estabelecido, dentro das quais todas as árvores que atendem um determinado conjunto de critérios são mensuradas e identificadas. Com isso, é possível conhecer a biodiversidade local e o seu papel em serviços importantes como o estoque de carbono. 

Foram avaliados nesta pesquisa quais os impactos de diferentes escolhas metodológicas (propostas em manuais de coleta para diferentes regiões tropicais), a amostragem de informações sobre a biodiversidade e o funcionamento de três tipos de florestas tropicais: florestas decíduas da Caatinga, florestas semidecíduas e ombrófilas do domínio Atlântico. Essas escolhas se referem a dois critérios, o tamanho mínimo de inclusão de uma árvore e o método de inclusão. Foram utilizados diferentes valores e métodos presentes na literatura e nos manuais de coleta. “Utilizamos um extenso banco de dados de 44 florestas nos estados de Minas Gerais e da Bahia, que em conjunto correspondem a mais de 43 hectares amostrados, mais de 56 mil árvores e 913 espécies’’, explica Cléber.

A pesquisa também concluiu que florestas estacionais (decíduas e semidecíduas) são extremamente sensíveis à adoção de metodologias utilizadas em regiões úmidas. Ao se considerar o mesmo tamanho mínimo utilizado na Amazônia (10 cm de diâmetro), por exemplo, há uma elevada perda de informação sobre o funcionamento e a diversidade dessas florestas. O método de inclusão também tem um forte impacto no conhecimento dos seus padrões ecológicos, em que a adoção do método por fuste, como utilizado na Amazônia, leva a não amostragem de um número elevado de espécies, mesmo quando combinado a menores valores de tamanho mínimo de inclusão. “Vimos que algumas espécies nessas florestas estacionais não chegam nunca a desenvolver tamanhos que possam ser amostrados nos inventários florestais’’, conclui Cléber. 

Texto: Mathews de Oliveira Silva, bolsista Proat.