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Cafeicultura

Preço de venda do café supera a inflação nos custos de produção

Escrito por Comunicação UFLA | Publicado: Quinta, 26 Agosto 2021 15:08 | Última Atualização: Sexta, 27 Agosto 2021 11:02 | Acessos: 550

Análise feita pelo Centro de Inteligência em Gestão e Mercados da Universidade Federal de Lavras (CIM/UFLA) mostra que a alta de julho de 2021 supera anos anteriores

grãos no pé de café Foto: Karina Mascarenhas

 

As geadas e a irregularidade das chuvas nas regiões produtoras de café afetaram a oferta dos grãos. O resultado já pode ser observado nos reajustes do preço de venda do café, que superam a inflação nos custos de produção. As informações são do Centro de Inteligência em Gestão e Mercados da Universidade Federal de Lavras (CIM/UFLA), que calculou o Índice de Preços Pago pelo Produtor de Café (IPPcafé) e o Índice de Preço Recebido pelo Produtor (IPRcafé) com base nos dados gerados pelo Projeto Campo Futuro da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).

Segundo os pesquisadores, na análise da série histórica, o IPRcafé ficou acima do IPPcafé de dezembro de 2015 a agosto de 2018, e de julho de 2020 a julho de 2021, atingindo maior valor justamente no último mês. Esse comportamento dos preços é benéfico ao produtor, uma vez que os reajustes dos preços de venda do produto são superiores aos dos custos de produção. O professor Luiz Gonzaga de Castro Junior, coordenador do CIM/UFLA, esclarece que, no entanto, a valorização de preço não garante uma melhor safra a todos os produtores.  "Nesse caso, observamos duas situações: aqueles produtores que tiveram quebra de safra e, portanto, contabilizam os prejuízos causados pelas intempéries e aqueles que mantiveram sua safra e agora vão obter um aumento no preço acima da inflação de custos. São dois lados dessa questão".

O professor Luiz Gonzaga explica ainda que além das geadas e das chuvas, a bienalidade negativa e a desvalorização cambial  contribuíram para aumentar a competitividade externa do café. Em comparação aos últimos três anos, o relatório aponta que de janeiro a julho de 2021, o IPRcafé e o IPPcafé apresentaram valores superiores aos demais, sendo que os dois índices cresceram, mas com velocidade maior para o IPRcafé.

Em relação às espécies, o arábica, responsável por  mais de 70% do café produzido no Brasil, segue as mesmas trajetórias dos índices nacionais. Entre seus estados produtores, o destaque positivo é para o Espírito Santo, onde IPRcafé ficou acima do IPPcafé em praticamente toda a série. Já os destaques negativos foram para São Paulo e Bahia, uma vez que o IPRcafé fica abaixo do IPPcafé ao longo da série, revertendo essa posição somente a partir de maio de 2021.

Já o café conillon obteve mais oscilações quando comparado aos índices do arábica, apresentando dois períodos favoráveis aos produtores: agosto de 2015 a agosto de 2018 e outubro de 2020 a julho de 2021. Ao se observar os três últimos anos da série histórica do conillon, é possível notar que o ano de 2020 foi ruim para o produtor, pois os valores do IPPcafé ficaram acima do IPRcafé até setembro, passando a ser favorável novamente somente em 2021. Na produção de conillon, o estado da Bahia apresentou condições desfavoráveis para produção ao longo da série histórica, visto que o IPPcafé ficou todo o período acima do IPRcafé, significando que o custo de produção obteve reajustes de preços acima dos valores do preço de venda da saca.

 

*Divulgação CIM/UFLA