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Tecnologia

Estudante da UFLA desenvolve equipamento capaz de desinfetar cédulas de dinheiro – projeto passará por aperfeiçoamentos

Escrito por Comunicação UFLA | Publicado: Sexta, 22 Outubro 2021 16:44 | Última Atualização: Sexta, 29 Outubro 2021 09:05 | Acessos: 1408
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A estudante Giovanna Gouvêa Spuri de Miranda, do curso de Engenharia de Controle e Automação, desenvolveu um equipamento capaz de desinfetar cédulas de papel-moeda por meio de raios luz ultravioleta (UV-C).

Sob a orientação do professor Wilian Soares Lacerda, do Departamento de Automática (DAT) da Escola de Engenharia, a estudante, que está no 5º período, desenvolveu um equipamento basicamente composto por uma fonte de luz ultravioleta (tipo C) de 4W de potência, temporizador digital (cronômetro), termostato (para medir/controlar a temperatura), uma chave liga e desliga e uma chave fim de curso (ela permite que a luz UV-C só acenda se a tampa do equipamento estiver fechada, já que essa luz é nociva aos humanos). Esse sistema é capaz de desinfetar o papel-moeda em aproximadamente dez minutos.

A estudante relata que foi motivada a desenvolver o sistema de desinfecção devido à pandemia da Covid-19, que reforçou a necessidade de medidas de higiene e segurança. Porém, com as recomendações de distanciamento social e de realização de atividades remotas, necessárias para conter o avanço da doença, não foi possível ainda concluir a pesquisa. “Os testes devem ser realizados em laboratórios, pois são locais seguros e evitam contaminação externa. Com os momentos de lockdown e de restrições na circulação das pessoas, tivemos que aguardar para dar continuidade ao projeto”.

Para o desenvolvimento do projeto, foram realizadas cinco etapas: revisão bibliográfica, projeto mecânico e eletrônico, construção do sistema e ensaios. Foram necessárias algumas mudanças no sistema ao longo de seu desenvolvimento. Na primeira versão do sistema, foi utilizada apenas a lâmpada UV-C como método de controle microbiano. Os resultados obtidos com esse primeiro protótipo não foram satisfatórios, pois o tempo para conseguir desinfetar o papel foi superior a dez minutos, o que tornaria a utilização no dia a dia inviável. Já na segunda versão, foi utilizada uma placa de cobre que, de acordo com a revisão bibliográfica, possui propriedades desinfetantes capazes de matar vírus, fungos e bactérias com facilidade, e acrescentou uma resistência elétrica para fazer o controle da temperatura e tornar o sistema mais eficiente. Todos os materiais utilizados para a realização dos testes em laboratório foram cedidos pela UFLA.

Os testes foram realizados no laboratório de Biologia da UFLA. As amostras foram contaminadas por fungos Penicillium Flavigenum, e expostas ao sistema de desinfecção. Em seguida, as amostras foram colocadas em Placa de Petri com meio de cultura (preparo químico que possui nutrientes necessários para que os microrganismos de uma determinada amostra biológica se multipliquem, de forma que seja possível realizar estudos e análises laboratoriais). A partir desses testes, verificou-se que o sistema foi eficiente para inativar os fungos contidos nas amostras, entretanto ainda não foi possível essa inativação em menos de três minutos, tempo máximo para viabilizar a utilização no dia a dia, tendo em vista que o sistema faz a desinfecção de uma cédula por vez.

De acordo com Giovanna, o investimento para a aquisição dos componentes do sistema é de aproximadamente R$180,00. Ainda segundo a estudante, para atingir o objetivo, o sistema ainda precisa de melhorias. Uma sugestão para testes futuros é utilizar uma lâmpada com a potência maior, de 30W ou mais, o que aumentaria significativamente o custo do sistema.

Como Giovanna ingressa agora em uma nova fase de formação, com a realização de estágio, o professor Wilian buscará dar continuidade ao projeto e implementar as melhorias necessárias com o apoio de outro estudante. “Estou procurando um novo estudante para continuar o projeto. Ele deve ter o mesmo perfil da Giovanna: prática em montagem, dedicação e curiosidade”, comenta. O estudante interessado poderá concorrer à vaga pelo o edital do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do CNPq (PIBITI/CNPq), geralmente divulgado em maio de cada ano.

Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do CNPq

O programa tem como objetivo contribuir para a formação de recursos humanos que realizam atividades de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação e que se dedicam ao fortalecimento da capacidade inovadora das empresas no país. O lançamento do edital ocorre anualmente, no mês de maio. As bolsas têm duração de 12 meses, com vigência de agosto a julho. O processo seletivo é realizado pela Coordenadoria de Iniciação Científica da UFLA, vinculada à PRP, e ocorre conforme as orientações constantes no edital.

Texto: Mathews de Oliveira Silva, bolsista Proat. Revisão: Ana Eliza Alvim