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Nova COB

Professor da UFLA integra equipe responsável pela nova Classificação Oficial Brasileira do Café

Escrito por Cibele Aguiar | Publicado: Quarta, 03 Junho 2026 09:22 | Última Atualização: Quarta, 03 Junho 2026 09:33
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A Universidade Federal de Lavras (UFLA), referência nacional em pesquisa cafeeira, participa de uma das mais importantes atualizações regulatórias do setor nas últimas décadas. O professor do Departamento de Engenharia Agrícola, Flávio Meira Borém, integra o grupo técnico constituído pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para a revisão da Classificação Oficial Brasileira do Café (COB), processo que busca modernizar o sistema oficial de classificação do café em grão cru no Brasil.

A revisão completa 10 anos de estudos e análises, reunindo auditores fiscais federais agropecuários, especialistas, pesquisadores e representantes da cadeia produtiva na construção de uma proposta técnica participativa. Uma das mudanças conceituais mais significativas é que a Nova COB deixa de ser um sistema centrado exclusivamente na identificação de defeitos e passa também a considerar atributos positivos da bebida.

Segundo o professor Borém, “a Classificação Oficial Brasileira do Café está passando pela mais importante revisão técnica e regulatória das últimas décadas”, movimento necessário diante das transformações vividas pela cafeicultura nacional. “A proposta busca atualizar o modelo atualmente regido pela Instrução Normativa nº 8, de 2003, que, embora tenha desempenhado papel importante na organização do setor, já não representa plenamente as demandas contemporâneas da produção, da indústria, do comércio, da pesquisa, dos mercados internacionais e dos consumidores”, pontua o professor. 

Para Elton Massarollo, auditor fiscal federal agropecuário e coordenador do Grupo de Trabalho, a proposta foi construída a partir de uma ampla base técnica e científica. “Os trabalhos para atualização da COB foram conduzidos com rigor técnico e visão estratégica, consolidando as evoluções da cadeia cafeeira, para assim promover a identidade, a qualidade e competitividade dos cafés nacionais. Pela sua relevância na temática do café, cabe ao Brasil ser propositivo”. 

Nova lógica classificatória

borem mãoEntre os principais avanços apresentados está a simplificação estrutural do sistema. A nova lógica substitui os seis níveis da normativa atual por uma organização baseada em grupo, tipo e categoria. A proposta também altera a forma de avaliação física, substituindo a equivalência de defeitos pela avaliação percentual em massa, o que amplia a objetividade técnica da classificação. 

A proposta estabelece um protocolo sensorial unificado, ampliando a padronização técnica da avaliação e contemplando a diversidade dos cafés produzidos no Brasil. Também prevê a introdução de um sistema de avaliação sensorial descritiva e afetiva da bebida, organizado em cinco categorias em escala de 0 a 100 pontos. A proposta incorpora ainda critérios de rastreabilidade e rotulagem, incluídos pela primeira vez na classificação oficial.

Borém destaca que a proposta representa mais do que uma atualização operacional. “Mais do que uma atualização normativa, a Nova COB propõe uma nova lógica de classificação desenvolvida especificamente para a realidade do café brasileiro. A metodologia de avaliação física e sensorial proposta não possui paralelos no mundo e foi concebida para contemplar toda a diversidade dos cafés produzidos no Brasil.”

Base científica e impacto para o setor

A construção da proposta foi sustentada por um conjunto robusto de evidências técnicas, incluindo a avaliação de 461 amostras de café provenientes dos principais Estados produtores brasileiros, complementadas por estudos estatísticos conduzidos pela UFLA e consultas multissetoriais.

Segundo Borém, a iniciativa busca construir “uma linguagem técnica mais moderna, transparente, objetiva e coerente com a diversidade, a complexidade e a qualidade do café brasileiro contemporâneo”. Ele explica que a proposta representa avanço relevante para produtores, cooperativas, exportadores, indústria, classificadores, pesquisadores, comerciantes e consumidores, ao ampliar a transparência, a padronização técnica e a segurança nos processos de comercialização e fiscalização.

Próximas etapas

A proposta normativa seguirá os procedimentos regulatórios previstos pelo Mapa, incluindo mecanismos formais de participação social. O processo garantirá transparência e ampla oportunidade de contribuição dos diferentes segmentos envolvidos na construção do novo padrão oficial.

Na UFLA, os estudos terão continuidade com novas etapas de validação científica. Segundo o professor Flávio Meira Borém, os trabalhos avançam agora com a participação da professora Ana Carla Marques Pinheiro, do Departamento de Ciências dos Alimentos (DCA), que atuará na validação da metodologia sensorial proposta para a Nova COB. Além disso, juntos, farão um protocolo de treinamento para o uso da nova classificação. 

Para o professor, o avanço acompanha a evolução da cafeicultura nacional. “O café brasileiro mudou profundamente nas últimas décadas. A Nova COB representa um passo importante para que o sistema oficial de classificação acompanhe essa evolução e continue contribuindo para a valorização, a identidade e a competitividade dos cafés do Brasil.”

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