Eco-inova: UFLA lança agência voltada ao desenvolvimento de soluções sustentáveis
A Universidade Federal de Lavras (UFLA) ampliou sua atuação em ciência, tecnologia e inovação com a criação da Agência de Eco-inovação, a Eco-inova, uma iniciativa que integra pesquisadores, docentes, estudantes e técnicos de diferentes áreas do conhecimento para desenvolver soluções voltadas à sustentabilidade, à mitigação das mudanças climáticas e à conservação da biodiversidade.
Vinculada ao Núcleo de Inovação Tecnológica (Nintec) e ao Parque Científico e Tecnológico da UFLA (Ipetch), a Eco-inova nasce como um ambiente interdisciplinar e colaborativo para transformar conhecimento científico em tecnologias, processos, políticas públicas e empreendimentos capazes de gerar impactos positivos para a sociedade e para o meio ambiente.
A proposta está alinhada à Política de Inovação da UFLA e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), reforçando o compromisso institucional com a produção de conhecimento de excelência e com a busca por soluções para os desafios ambientais da atualidade, como explica o professor do Instituto de Ciências Naturais (ICN), Júlio Louzada, diretor da Eco-inova. “A agência surgiu como uma ideia nova no Brasil, embora esse modelo não seja novo quando falamos de estratégias de desenvolvimento sustentável em nível global. Na Europa, nos Estados Unidos e no Canadá, por exemplo, já é bastante comum a existência de agências ou centros de inovação, pois eles estão diretamente alinhados às estratégias da ONU para o desenvolvimento sustentável. Essas estruturas têm justamente o papel de fazer a ponte entre o ambiente acadêmico, onde a ciência é produzida, e a sociedade, seja ela representada pelo setor produtivo, pelo poder público ou pela sociedade civil organizada”.
O professor Júlio enfatiza ainda que o termo “inovação” vai muito além da tecnologia. “Às vezes, quando falamos em inovação, as pessoas associam o termo diretamente à inovação tecnológica. Mas a atuação da agência vai além disso. Ela envolve inovação no sentido de novas ideias, novos processos, novos arranjos, novas visões, novas formas de análise e de monitoramento. Essa inovação está ligada justamente a um novo jeito de fazer as coisas”.
Integração com diversos departamentos
A Eco-inova promoverá a integração entre as diferentes unidades acadêmicas da Universidade, reunindo competências nas áreas de ciências agrárias, biológicas, engenharias, ciências sociais aplicadas e ciências humanas. A proposta é estimular o desenvolvimento de projetos interdisciplinares, fortalecer a pesquisa e ampliar a interação entre a Universidade, o setor produtivo e o poder público. “A questão ambiental não é responsabilidade exclusiva de um departamento, de um grupo de pesquisa ou de um pesquisador. Trata-se de um tema essencialmente multidisciplinar, que exige a integração de diferentes áreas do conhecimento e de esforços que, muitas vezes, estão dispersos dentro da Universidade. A Eco-inova foi criada justamente com essa proposta: reunir esses grupos e promover a atuação conjunta de pesquisadores, departamentos e unidades acadêmicas que desenvolvem trabalhos relacionados à área ambiental”, comenta o diretor da Eco-inova.
Além de fomentar pesquisas e ações de inovação, a agência apoiará a formação de recursos humanos, incentivará a participação de estudantes em projetos de pesquisa e empreendedorismo, estimulará a criação de startups e ampliará as oportunidades de transferência de tecnologias sustentáveis para a sociedade.
Primeiro projeto
O primeiro projeto aprovado pela agência com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) é o de Descarbonização e Economia Circular, voltado ao desenvolvimento de estratégias e tecnologias para reduzir emissões, otimizar o uso de recursos e estimular modelos produtivos mais sustentáveis. A descarbonização é um dos seis eixos estratégicos de concentração da Eco-inova que ainda incluem Economia Circular, Descarbonização, Agricultura Sustentável, Conservação de Recursos Naturais, Cidades Sustentáveis e Biodiversidade.
Coordenado pelo professor do Instituto de Ciências Naturais (ICN), Rafael Zenni, o projeto já integra pesquisadores dos departamentos de Ecologia, Engenharia Ambiental, Engenharia Física, Engenharia de Materiais, Engenharia de Automação, Química, Ciência do Solo e Entomologia, envolvendo três unidades acadêmicas da UFLA. ”Quando falamos em descarbonização e economia circular, é importante entender que o desafio vai além da redução das emissões de gases de efeito estufa. Também é necessário desenvolver estratégias para remover parte do carbono que já está acumulado na atmosfera e que contribui para o avanço das mudanças climáticas. Não existe uma solução única capaz de enfrentar esse problema, que é global e extremamente complexo. Por isso, é fundamental atuar em diferentes frentes de pesquisa e inovação, integrando diversas áreas do conhecimento para desenvolver tecnologias, processos e soluções que reduzam emissões, ampliem a captura de carbono e promovam uma economia mais sustentável", explica Rafael.
A agência também está estruturando um novo projeto voltado para o setor agrícola, ampliando essa integração com a participação dos departamentos de Entomologia, Fitopatologia, Química e Ciências Sociais Aplicadas.
A sede da Eco-inova será instalada na Agência de Ciências Ambientais e Ecologia Aplicada, estrutura multiusuária vinculada ao Departamento de Ecologia e Conservação do Instituto de Ciências Naturais (ICN).
Ouça aqui o episódio do Frequência UFLA e confira todos os detalhes sobre a criação da Agência de Eco-inovação.


