IpêTech estreia no HackTown com projetos de inovação da UFLA
Entre as pessoas que chegaram ao espaço do IpêTech durante o HackTown estava Ronaldo Damasceno, produtor rural de Nova Resende (MG). Com uma trajetória ligada ao campo e à cafeicultura, ele procurou a equipe para compartilhar uma ideia que pretende transformar em solução tecnológica: uma ferramenta capaz de aproximar produtores que precisam contratar mão de obra de pessoas disponíveis para o trabalho rural.
A proposta também tem uma motivação pessoal. Ronaldo contou à equipe que, durante o tratamento de um problema de saúde, passou a buscar uma forma de deixar uma contribuição para a cafeicultura. Pensar em soluções para dificuldades que conhece no dia a dia do campo tornou-se parte desse processo.
O encontro abriu uma possibilidade concreta: Ronaldo conheceu o Avança Café, programa voltado ao desenvolvimento de ideias e soluções para a cafeicultura, e pretende se inscrever para buscar apoio para tirar a proposta do papel. A aproximação foi uma das conexões realizadas pela equipe do IpêTech durante o HackTown, festival que chegou à décima edição em Santa Rita do Sapucaí (MG).
Esta foi a primeira participação do Parque Tecnológico da UFLA no evento. Ao longo da programação, o IpêTech esteve presente na Varanda Matchmaking, espaço destinado à aproximação entre participantes, empreendedores, startups e representantes de instituições.
Para o gestor do IpêTech, Ernani Marques, a participação também possibilitou apresentar programas em andamento e estabelecer contatos com potenciais parceiros e participantes.
Entre as iniciativas apresentadas esteve o Avança Café, realizado pela Embrapa, UFLA e Universidade Federal de Viçosa (UFV), em conjunto com os parques tecnológicos de Lavras e Viçosa. O programa é voltado ao desenvolvimento de ideias e soluções para a cafeicultura e está com inscrições abertas até 24 de setembro.
Também foi apresentado o Vertentes Scale Up, iniciativa vinculada ao Seed, programa do Governo de Minas Gerais, com previsão de acelerar pelo menos 15 startups no Parque Tecnológico.
Projetos da UFLA na Ilha de Startups
No segundo dia do evento, o IpêTech levou projetos de inovação desenvolvidos na UFLA para a Ilha de Startups do HackTown. As equipes apresentaram suas tecnologias e tiveram contato com empresas, pesquisadores, empreendedores e outros participantes do festival.
Uma das iniciativas foi o projeto TATU, coordenado pela professora Tatiana Búfalo, do Departamento de Física. A equipe desenvolve uma tecnologia baseada na aplicação de luz em sementes, buscando aumentar o vigor e favorecer um crescimento mais uniforme. A tecnologia também vem sendo estudada para clonagem de plantas, multiplicação de microrganismos e pós-colheita.
Outro projeto apresentado foi o Carboloop, coordenado pelo professor Fabiano Magalhães, do Departamento de Química. A pesquisa utiliza rejeitos da mineração e materiais ricos em biomassa para produzir materiais de maior valor agregado, com aplicações na agricultura, na construção civil e no tratamento de água. O processo também prevê a captura e o reaproveitamento do dióxido de carbono (CO₂) gerado.
“Já conseguimos agendar reuniões com duas empresas interessadas na tecnologia. As empresas nos procuraram e também tivemos contato com startups, pesquisadores e outros representantes interessados no projeto”, relatou Fabiano.
Segundo Décio Mendonça, gestor de Inovação e Estratégia do IpêTech, outros projetos também tiveram desdobramentos a partir dos contatos realizados no evento.
“Trouxemos dez projetos de inovação para fazer conexões e apresentar o que é desenvolvido na Universidade e no Parque. A partir desses contatos, já foram marcadas reuniões e estabelecidas parcerias”, afirmou.
A programação do IpêTech no HackTown incluiu ainda uma palestra do professor da UFLA, Flávio Borém sobre a relação entre ciência, tecnologia e cafés especiais e os desafios da cadeia produtiva do café.
“O café é uma cadeia extremamente complexa e tem uma diversidade de problemas que demandam ciência, inovação e tecnologia. Não estamos falando de futuro. A necessidade de inovação no café é presente”, afirmou Borém.
E pra finalizar o professor Leonilson Herval, coordenador do IpêTech Paraíso, apresentou a experiência de implantação do Parque Tecnológico no câmpus da UFLA em São Sebastião do Paraíso. Desenvolvido ao longo de aproximadamente dois anos, o processo teve participação de estudantes e docentes e contou com recursos obtidos por meio de editais para ações de capacitação e estímulo ao empreendedorismo e à inovação.
“Como a gente não tinha um ecossistema já montado e não tinha uma pós-graduação formada, investimos nos alunos de graduação, com a força e a vontade dos professores, para iniciar esse ecossistema. Por meio de editais, conseguimos recursos para capacitar os alunos e, a partir dessa capacitação, fomentar a inovação e o empreendedorismo”, explicou Leonilson.
Da ideia de um produtor rural às reuniões já agendadas entre pesquisadores e empresas, a primeira participação do IpêTech no HackTown deixou desdobramentos que continuam depois do encerramento do festival. Para o Parque Tecnológico da UFLA, a passagem por Santa Rita do Sapucaí também ampliou os caminhos para que pesquisas, tecnologias e programas desenvolvidos na Universidade encontrem empresas, empreendedores e pessoas interessadas em transformá-los em soluções.
Texto: Thiago Luz (IpêTech)
Fotos: Equipe Ipêtech


