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UM MÊS DE ATIVIDADES REMOTAS

Pró-reitor de Graduação fala sobre atividades de Ensino no período de distanciamento social

Escrito por Ana Eliza Alvim | Publicado: Segunda, 27 Abril 2020 21:04 | Última Atualização: Terça, 28 Abril 2020 10:40 | Acessos: 4114

Na última semana, a comunidade acadêmica da Universidade Federal de Lavras (UFLA) completou um mês em distanciamento social. O trabalho está sendo realizado de forma remota, conforme orientações da Portaria 247, de 22/3. Desde então, já foram publicadas no Portal UFLA mais de 50 notícias relacionadas à atuação de pesquisadores, professores, técnicos administrativos, estudantes e gestores no enfrentamento à pandemia de Covid-19. São ações de ensino, pesquisa, extensão, além de medidas administrativas necessárias para a Universidade cumpra seu papel, e permaneça ativa no suporte à comunidade. 

Para reunir as informações referentes ao que tem sido feito no pilar Ensino durante esse período, o Portal UFLA entrevistou o pró-reitor de Graduação, professor Ronei Ximenes Martins. Ele fala das estratégias adotadas nesse primeiro mês de atividades e dos próximos passos, com iniciativas que buscam a retomada do calendário letivo, se possível ainda em maio, com atividades de aprendizagem a serem realizadas, excepcionalmente, de forma remota. A proposta está em discussão e pode resultar em medidas que vão valer para graduação e pós-graduação, e buscarão atender especificamente ao período da pandemia, de emergência em saúde pública.

Acompanhe as respostas do professor Ronei.

 

Diante da necessidade de interrupção das aulas presenciais na UFLA, por recomendação das autoridades de saúde devido à disseminação do novo coronavírus, quais foram as principais decisões estratégicas iniciais na área Ensino?

Tanto a equipe de gestão das pró-reitorias quanto o Comitê Especial de Emergência para enfrentamento ao Coronavírus (CEE-Covid-19 – UFLA) consideraram que não seria prudente determinar a transposição automática das atividades de ensino-aprendizagem presenciais para um sistema de aulas expositivas, transmitidas por webconferência, sem que houvesse preparação adequada, um estudo de impactos e o levantamento dos requisitos necessários para que conseguíssemos avançar com segurança. Decidiu-se então, iniciar uma série de atividades visando à manutenção de atividades letivas não obrigatórias, tanto no âmbito da graduação como da pós-graduação, que permitissem aos estudantes manterem-se ativos e que dessem oportunidades aos docentes para que se preparassem para o ensino por meio de recursos digitais educacionais. Para tal, foi estabelecida parceria com o portal Coursera e foram liberados, a partir da primeira semana de abril, 5 mil inscrições para que estudantes e professores pudessem escolher e participar de até cinco cursos online, em um rol de 4.900 ofertados por dezenas de excelentes universidades de diferentes países. Até o momento, temos cerca de 1.400 pessoas participando dessa ação.

Ao mesmo tempo, as diretorias de Educação a Distância (Dired) e de Avaliação e Desenvolvimento do Ensino (Dade) iniciaram a oferta de um conjunto de cursos de formação docente, com objetivo de proporcionar aos professores oportunidades para aprimorarem suas habilidades e competências na utilização de recursos digitais educacionais para mediação do ensino-aprendizagem. Todas as atividades desse programa de formação são realizadas utilizando recursos do Campus Virtual e da plataforma G-Suite do Google.  Por meio de webconferências, de roteiros estruturados e de vídeos de orientações, cerca de 480      docentes da UFLA, praticamente dois terços dos professores da instituição , já participaram de pelo menos um dos cursos.

Enquanto estudantes e docentes reorganizam suas práticas de estudo, os técnicos que atuam nas diretorias relacionadas com as pró-reitorias passaram, também, por momentos de aprendizagem em serviço, readequando suas tarefas ao trabalho remoto, de forma a      atender à comunidade estudantil por meio de recursos digitais de comunicação.  Tanto a Pró-Reitoria de Pós-Graduação (PRPG) quanto a de Graduação (PRG) comunicam-se com       estudantes e docentes, orientam sobre as rotinas acadêmico-administrativas por meio de tecnologias digitais, sem dificuldade, e garantem o encaminhamento de processos sem a necessidade da presença física nos pontos de atendimento presencial.

 

Mesmo com o calendário letivo da graduação suspenso, houve a oferta de algumas turmas especiais na graduação. Que iniciativa foi essa?

Por meio de ação colaborativa entre a PRG e departamentos didático-científicos, que estão colaborando muito, iniciou-se essa oferta de turmas especiais de disciplinas com elevado percentual médio semestral de reprovação. A ideia foi dar oportunidade para que estudantes reprovados em semestres anteriores tivessem a chance de se recuperar, por meio de estudos orientados realizados enquanto estão em suas casas devido à quarentena.  Estão em oferta, no momento, GEX108 - Cálculo III, GFI101 - Física I, GFI125 - Física A, GFI106 - Física II, GFI127 - Física B, GCC101 - Algoritmos e Estrutura de Dados I, GCC104 - Algoritmos e Estrutura de Dados II, GCC216 - Estrutura de Dados, GCC224 - Introdução aos Algoritmos e GCC250 - Fundamentos de Programação I, contemplando cerca de 250 estudantes matriculados.  Outras ofertas estão em estudo, mas provavelmente a preferência será pelo retorno às atividades letivas de forma remota, com mediação de recursos digitais.

 

A esse respeito, poderia falar sobre a proposta para retomada do calendário letivo, com aulas que possam ocorrer de forma remota? Por que essa iniciativa é importante?

A comunidade discente da UFLA é constituída por estudantes de todo o País. Na graduação, por exemplo, há estudantes provenientes de 26 estados e do Distrito Federal. Cerca de 80% deles são de Minas Gerais e 14% de São Paulo. Somente o Estado de Minas é representado por 344 cidades. Trata-se, portanto, de uma comunidade estudantil muito dispersa, proveniente de regiões com diferentes quadros de transmissão e combate ao coronavírus. Nesse contexto, não é possível prever quando e como será possível retomar o calendário letivo com atividades presenciais, contando com 100% dos estudantes aptos a frequentarem o câmpus. Dessa forma, é necessário encontrar soluções que reduzam os prejuízos que a ausência de aulas traz aos estudantes.

No que diz respeito ao processo pedagógico, a interrupção muito prolongada das atividades acadêmicas pode causar evasão por desistência, aumento nos pedidos de transferência e abandono, bem como o atraso na conclusão do curso. Além disso, o afastamento por um longo período irá gerar desmotivação e desmobilizar os processos cognitivos que mantêm os estudantes focados nos estudos.

É importante também considerar que a interação social por meio de recursos tecnológicos digitais pode auxiliar a comunidade acadêmica a se manter unida, a compartilhar dificuldades e também vitórias, a elaborar apoios e colaborar para a manutenção da saúde mental de quem se sente isolado e cercado de problemas, dificuldades.

 

Em uma comunidade tão ampla e diversa, com tantos desafios a serem vencidos, o que indica que é possível retomar o calendário letivo?

O primeiro desafio já foi vencido e consistiu em oferecer opções para que os processos de aprendizagem continuassem ocorrendo, mesmo com o calendário letivo suspenso. Enquanto as atividades não obrigatórias estão em oferta, a equipe gestora da UFLA realizou estudos visando à retomada das atividades letivas de forma remota, embasada em evidências sobre o uso dos recursos educacionais digitais disponíveis e o processo de ensino-aprendizagem mediados por esses recursos.

A equipe técnica da PRG verificou que cerca de 85% dos componentes curriculares oferecidos neste semestre são compostos por conteúdos teóricos, ou parte teóricos e parte práticos. Além disso, verificou, também que apenas 7% dos estudantes não têm registro de acessos ao Campus Virtual.  Verificou-se, também, que o percentual de alunos ativos em 2020 e que possuem número de celular registrado no SIG-UFLA é de 99,3%.  Esses são indicativos preliminares de que há possibilidade de criarmos condições para interações entre professores e alunos, mesmo com o distanciamento geográfico imposto pela quarentena.

As questões relacionadas com as tecnologias não são a única preocupação da equipe. O principal fator de sucesso no processo de aprendizagem é a relação professor-estudante. Os recursos digitais para comunicação e informação devem ser meios para superação das dificuldades impostas pelo distanciamento social, e não ferramentas para substituir o protagonismo do docente e dos estudantes.

Com recursos mínimos de conectividade, artefatos digitais e conhecimento tecnológico, com apoio de estudantes monitores das disciplinas, são 248, é possível criar condições para o desenvolvimento de atividades de ensino-aprendizagem de forma remota na maioria das disciplinas da graduação e de pós-graduação. Mas é fato que temos que direcionar especial atenção à questão do acesso à internet. Por motivos variados, parte dos nossos alunos pode estar impossibilitada de se conectar aos recursos online.

Além disso, estamos verificando qual a melhor maneira de inserir suporte tecnológico assistivo para pessoas com deficiência de audição e/ou visão. A proposta é atuar para não deixar nenhum estudante fora do processo.

 

Como está sendo conduzida a elaboração da proposta para retorno às atividades letivas?

Como há indefinição sobre o retorno das atividades letivas de forma presencial, iniciamos as discussões no âmbito da Diretoria Executiva, depois envolvemos a equipe técnica da PRG e da PRPG. No passo seguinte, os coordenadores de cursos avaliaram as alternativas para retomar as atividades remotamente e estão contribuindo para consolidarmos uma proposta consistente. Em paralelo, na quinta-feira (23/4), foi iniciada uma enquete on-line para subsidiar a elaboração de uma proposta sobre a continuidade dos trabalhos no semestre letivo, que atenda a comunidade acadêmica, se não na totalidade, pelo menos para a maioria.

A enquete possui questionários específicos para servidores e estudantes, disponíveis nos links https://forms.gle/14pN9Bzoz2mLquWW8 (servidores)  e  https://forms.gle/nhKR1qJ3vsARhHnPA (estudantes). Os questionários podem ser acessados até dia 28/4.

O que vocês já analisaram ser possível fazer quanto a datas, metodologia, formatos? Quais são as ideias em discussão?

Com os subsídios oferecidos pela comunidade acadêmica e todas as contribuições que recebemos, penso que existe elevada probabilidade de o CEPE (Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão)  aprovar a retomada das atividades letivas, por meio de estudo remoto, a partir do dia 25/5. Temos discutido algumas ideias sobre a sequência de ações necessárias.

Em um primeiro momento, será preciso que os professores se preparem para utilizar o Campus Virtual e que  elaborem novos planos de ensino e os insiram no SIG.  Os professores também precisarão ser orientados a prepararem Roteiros de Estudos Orientados (REO), semanais ou quinzenais, com indicação de conteúdos e de atividades a serem desenvolvidas pelos estudantes no período.  Esses REO devem ser inseridos semanalmente ou quinzenalmente no Campus Virtual.  No mesmo período em que os docentes estiverem se preparando, os estudantes deverão participar de um curso, no formato Massive Open Online Course (Mooc), preparatório para realizarem os estudos orientados. O Mooc será ofertado pela Dired/PRG, com material que terá como base o mesmo modelo de trabalho que utilizaremos nas atividades remotas.

Concluída a etapa de preparação, que deve durar três semanas, as atividades letivas específicas dos componentes curriculares poderão ser retomadas. A proposta é de retomada a partir do dia 25/5, desde que a fase anterior ocorra conforme esperado. 

Com a retomada das atividades letivas, os estudantes terão que acessar as salas virtuais para receber orientações, baixar os REO e materiais de estudo, mas poderão desenvolver as atividades sem necessidade de se manterem conectados o tempo todo. Sempre que necessário, eles retornam ao ambiente virtual para enviar as dúvidas ao professor, conversar com colegas, enviar atividades/tarefas realizadas e obter o próximo REO.

A ideia é que o conjunto das atividades desenvolvidas na forma de REO gere pelo menos um produto de autoria do estudante (texto, resenha, artefato, objeto, tecnologia, método, resolução de problema, projeto elaborado, etc.). O conjunto de produtos e a participação do estudante devem ser valoradas pelo docente como parte dos pontos relativos ao sistema de avaliação adotado para o semestre letivo.  

 A rotina de trabalho com os conteúdos e envio de REO semanal/quinzenal deve se estender até que seja liberado o retorno das atividades letivas presenciais.  Quando ocorrer a liberação pelas autoridades competentes, serão reservadas semanas letivas presenciais para que os docentes revisem conteúdos, ofereçam práticas laboratoriais e de campo (caso pertinente), apliquem avaliações diagnósticas e de complementação da pontuação do semestre. Neste semestre não será mantida a contabilidade dos dias letivos como é, rotineiramente, executada por dias e aulas, devendo passar a ser contabilizado por semanas letivas.

A proposta prevê também que, na primeira semana de aulas presenciais, os docentes façam aulas de revisão do conteúdo, apontando os conceitos-chave e orientando os estudantes para uma avaliação presencial (diagnóstica), que vai verificar a aprendizagem dos principais conceitos/processos trabalhados por REO. Depois disso as atividades letivas continuam presencialmente.

E como ficariam as turmas especiais que já estão em andamento? 

No caso das turmas especiais de recuperação em oferta, iniciadas durante esse primeiro ciclo de distanciamento social, elas devem continuar em paralelo com a retomada das atividades letivas até que se conclua o que foi planejado para elas. Os alunos que forem aprovados nas turmas especiais automaticamente receberão aprovação nas turmas ordinárias. 

Você poderia falar um pouco mais sobre o REO? Ele seria em qual formato?

Os REO devem ser elaborados na forma de texto, para facilitar a utilização de tecnologia assistiva por surdos ou cegos. Existem sistemas de transcrevem textos em libras e outros que convertem texto em voz.  A abordagem precisa ser dialógica e os REOs também podem ser enriquecidos com imagens, esquemas e outros recursos audiovisuais, conforme a necessidade de cada conteúdo, mas com a preocupação de inserir itens de acessibilidade. Quando for o caso, o professor pode inserir vídeos com exposição de conteúdos, demonstrações ou casos para estudo. Também pode agendar interações por Webconferência, utilizando o GoogleMeet disponível na plataforma GSuite. No caso de realizar Webconferência, ela deverá ser também gravada e seu conteúdo disponibilizado na sala virtual. 

Mesmo sendo boa parte das disciplinas do semestre de conteúdos teóricos, como ficará o caso daquelas disciplinas práticas?

No caso das disciplinas práticas, o docente deve, na medida do possível, destinar o  tempo de estudo remoto para conteúdos conceituais e demonstrações de fenômenos. Isso pode se dar por meio de vídeos ou simulações, por exemplo. Com essa estratégia, o docente  reserva      para o período de atividades presenciais, que terá de ocorrer no término do semestre letivo, a complementação das práticas em campo ou em laboratório. Não é o ideal, mas em disciplinas que são teórico-práticas pode ser a alternativa viável.

Também pensamos nos casos de componentes curriculares cujos conteúdos forem considerados inviáveis para o modelo proposto. Nesses casos, os docentes responsáveis teriam a opção de solicitar cancelamento da oferta mediante apresentação de justificativa fundamentada. A solicitação de cancelamento será enviada para a pró-reitoria competente, que se manifestará pelo deferimento ou não da solicitação. Caso aprovado o pedido, o componente curricular terá a oferta cancelada e será ofertado posteriormente, como curso de verão em janeiro e fevereiro de 2021. Para não gerar prejuízos ainda maiores para os estudantes, autorizaremos quebra de pré-requisitos caso os componentes curriculares cancelados impeçam matrícula no semestre subsequente. No caso de formandos que dependam de componentes cancelados, estudaremos a oferta de turmas especiais assim que as atividades presenciais retornarem.

O senhor falou, no início da entrevista, sobre a possibilidade de haver estudantes com dificuldades de acesso à internet. Como esse desafio pode ser vencido?

Mesmo com indicativos de que é possível realizar atividades de ensino mediadas por tecnologias, é imprescindível que se garanta a possibilidade de acesso para os estudantes em vulnerabilidade socioeconômica que apresentem dificuldade para acessar a internet devido à dificuldade de arcar com custos relativos à conectividade.  Para superar esse desafio, o professor Scolforo buscou recursos financeiros que possibilitarão a oferta de bolsa mensal para que os estudantes vulneráveis contratarem serviço de conexão internet. 

Existem também estudantes que não possuem acesso pleno e diário à internet (com link que permita participar de webconerências e outras interações síncronas). Pensando nesses casos é que propusemos um modelo de trabalho que possibilite o download dos roteiros de estudos e outros materiais. O estudante pode realizar as tarefas durante a semana/quinzena e entregar      os produtos no prazo estabelecido pelos professores. Na eventual realização de videoaulas/webconferências (ao vivo), a participação síncrona dos estudantes não deverá ser considerada obrigatória.  

Mas, apesar de todos os cuidados, temos que considerar outras condicionantes que impeçam o estudante de estudar remotamente. Neste caso, consideramos liberar o cancelamento de matrícula em componente curricular específico ou o trancamento do semestre letivo mediante apresentação de requerimento pelo estudante.

Além da enquete, há outros meios para que a comunidade acadêmica participe dessa discussão e colabore com suas ideias?

Realizamos uma transmissão ao vivo (live) na segunda-feira (27/4), para discutir com a comunidade acadêmica da UFLA alternativas de reativação do calendário letivo com atividades de ensino-aprendizagem com operacionalização remota. A live foi transmitida a partir das 15h pelo Youtube, no link https://youtu.be/KZz8n-DtPAU e contou com cerca de 3.800 participantes. Como foi gravada, o conteúdo está disponível para os interessados. 

Outras considerações a acrescentar?

Agradeço à Diretoria de Comunicação por esta oportunidade de divulgação e por todo o apoio que tem dado às ações de ensino, pesquisa e extensão; ao reitor e à equipe de gestão, que oferecem todo o suporte para as ações de Ensino que estamos realizando; às equipes técnicas das diretorias que estão viabilizando todo o trabalho remoto desenvolvido; aos coordenadores dos cursos de graduação e chefes de departamentos, que têm colaborado imensamente; e aos professores, técnicos e estudantes, que têm enviado e-mails com excelentes críticas e sugestões, além de participarem efetivamente de todas as atividades realizadas neste período tão desafiador.  Penso que, quando este momento de restrições e imensos desafios passar, e vai passar, estaremos muito fortes e unidos para retomarmos o trabalho presencial de excelência, como é rotina na UFLA.

Atenção! As notícias mais antigas (anteriores a Maio/2018) estão disponíveis em nosso repositório de notícias no endereço www.ufla.br/dcom.