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Saúde Mental

Setembro Amarelo: UFLA realiza campanha de prevenção ao suicídio

Escrito por Samara Avelar | Publicado: Quarta, 19 Setembro 2018 10:08 | Última Atualização: Quarta, 19 Setembro 2018 10:27 | Acessos: 1207
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O Setembro Amarelo é um movimento mundial de conscientização sobre o suicídio. Neste ano, a Universidade Federal de Lavras (UFLA) realiza uma série de atividades em busca do diálogo junto aos estudantes, professores e servidores com o objetivo de desmistificar questões sobre o suicídio e melhorar a qualidade de vida da comunidade acadêmica.

A campanha é feita de forma colaborativa pela Coordenadoria de Saúde da Pró-reitoria de Assuntos Estudantis e Comunitários (Praec), pelo Projeto Minuto da Saúde, pelo Centro Acadêmico de Medicina Barçante & Pereira , pela Lapsi - Liga Acadêmica de Psiquiatria e Saúde Mental e pelo Diretório Central dos Estudantes – DCE por Todos os Cantos. Conta com palestras, debates, mobilizações e distribuição de cartazes, além da divulgação nas redes sociais, a partir de artes desenvolvidas e disponibilizadas gratuitamente pelo artista Aureliano, que desmistificam questões relativas à saúde mental e trazem mensagens positivas para quem está vivendo algum tipo de sofrimento. Informações fundamentais sobre suicídio também estão disponíveis no site da Praec.

Diversas ações têm sido realizadas ao longo mês de setembro. Em 3/9, a coordenadora de Saúde Kátia Poles e o psiquiatra Gilbran Scarpone Salem participaram de um treinamento de docentes promovido pela Diretoria de Avaliação e Desenvolvimento de Ensino (Dade), abordando questões sobre saúde mental no ambiente acadêmico. No dia 4/9, a conversa ocorreu junto aos coordenadores de cursos da graduação, com a participação da professora Kátia e da psicóloga da UFLA Cíntia Aparecida de Assis. A equipe também tem estado aberta a convites e trabalho junto aos departamentos, com conversas no Departamento de Ciências do Solo (DCS) e no de Ciências Florestais (DCF), e organizações estudantis, como o Pet de Medicina Veterinária, que vai abordar a questão do suicídio na próxima semana.

No último sábado (15/9), a Coordenadoria de Saúde e a Lapsi promoveram o evento "Mindfulness: neurociência e atenção plena para redução do estresse", com o médico psiquiatra Ulisses de Miranda Vieira. Na próxima quinta-feira (27/9), está prevista uma ação conjunta no Centro de Convivência, com o envolvimento da comunidade acadêmica e o apoio da Coordenação de Saúde Mental do Município de Lavras.

Respira, Não Pira

Diante da realidade presente no universo acadêmico, o CA de Medicina Barçante & Pereira realizou, ao fim de 2018/1, uma ação no Centro de Convivência da UFLA para que os estudantes pudessem desabafar sobre seus sentimentos ligados à saúde mental e às dificuldades que, apesar de parecerem comuns, não podem ser consideradas normais.  A iniciativa “Respira, Não Pira”, lançada em 2016, ganhou novo enfoque com a ideia “Não é normal”, incentivando os relatos de estudantes que se sentem sobrecarregados ou até adoecidos. No Instagram oficial da UFLA, manifestações dos alunos estão sendo divulgadas, com a hashtag #NãoéNormal, com o objetivo de promover o  diálogo sobre maneiras de melhorar a qualidade da vida acadêmica.

Um problema mundial

O suicídio é a principal causa de morte violenta no mundo, com 11,4 óbitos para cada 100 mil habitantes. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a cada 40 segundos, uma pessoa morre por suicídio. O Brasil é um dos 29 países que não conseguiram reduzir as mortes autoprovocadas no período de 2000 a 2012, de acordo com a OMS, chegando ao equivalente a 32 mortes diárias em 2012, mesmo patamar dos falecimentos decorrentes do HIV.

Os índices também têm crescido entre os jovens. De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria, o suicídio corresponde a 3% do total de óbitos entre jovens e adultos jovens do sexo masculino.  Na faixa etária dos 15 aos 29 anos, o ato representa 8,5% das causas de morte em todo o mundo, perdendo apenas para os acidentes de trânsito.

Saúde mental na Universidade

Dados sobre a saúde mental nas instituições de ensino superior mostram que o assunto merece atenção de toda a comunidade acadêmica. A IV Pesquisa do Perfil Socioeconômico e Cultural dos Estudantes de Graduação das Instituições Federais de Ensino Superior, realizada pelo Fórum Nacional de Pró-reitores de Assuntos Estudantis (Fonaprace) da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) em 2014, aponta que 86, 09% encontram alguma dificuldade que interfere significativamente na sua vida ou no contexto acadêmico. Entre as dificuldades listadas, a pesquisa mostrou que as dificuldades financeiras incidem com maior frequência, afetando 42,21% do total dos graduandos. Em seguida, foram citadas: carga excessiva de trabalhos estudantis (31,14%); falta de disciplina/hábito de estudo (28,78%); dificuldades com adaptação a novas situações (21,85%); relação professor (a)/aluno (19,8%); dificuldades de acesso a materiais e meios de estudo (18,33%); dificuldades com relacionamento familiar (18,29%) e com relacionamento social e interpessoal (17,66%); carga horária excessiva de trabalho (17,45%); dificuldade de aprendizado (16,22%), relações amorosas/conjugais (14,32%) e outras dificuldades com participações menores.

Na UFLA

O DCE – Por Todos os Cantos realizou em 2018 um questionário on-line sobre saúde mental entre os estudantes da UFLA. Foram obtidas 776 respostas que, apesar de não contemplarem diferentes grupos de discentes, podem ser consideradas para melhor entender aspectos relacionados à saúde mental dos alunos da Instituição. De acordo com levantamento, 96% dos estudantes acreditam que a rotina acadêmica pode prejudicar a saúde mental. Dentre os fatores que interferem na qualidade de saúde mental, destacaram-se as demandas acadêmicas (77,1%), os maus hábitos de vida (64,8%), a relação professor-aluno (55,5%) e a carga horária de atividades (49,6%). A pressão familiar (30,9%) e a capacidade de autogerenciamento em função da distância da família e amigos (32,2%) também apareceram como aspectos relevantes.

Dos participantes, apenas 42,1% apontaram não terem sido diagnosticados com algum tipo de transtorno mental. A ansiedade aparece como condição mais comum (45,2%), seguida de depressão (19,3%), transtorno de déficit de atenção (7,3%), transtorno obsessivo compulsivo (5,2%) e transtorno bipolar (2,8%).

Mesmo com esses fatores, 70,4% dos participantes revelaram não fazer acompanhamento psicoterápico e poucos costumam pedir ajuda a um profissional de saúde da área quando vivem algum problema pessoal: apenas 11,5%. Os estudantes costumam se abrir com pessoas próximas, como amigos (65,2%) e familiares (44,3%). 

De acordo com pró-reitor de Graduação, professor Ronei Ximenes, a saúde mental da comunidade universitária é multifatorial e complexa, por isso a PRG tem desenvolvido ações para debater todas as suas interfaces e os fatores envolvidos junto ao corpo docente, como o treinamento promovido pela Dade e reuniões junto aos coordenadores de curso. “É importante entender que existe uma diferença entre gerações, e esse contexto tem trazido novos desafios ao ambiente acadêmico e modificado as formas de relacionamento, inclusive na perspectiva professor-aluno”, explica o pró-reitor. Os debates também têm sido ampliados na pós-graduação, com discussões junto aos docentes e discentes dos programas, sendo ainda ponto de destaque na programação do XXVII Congresso de Pós-Graduação, que será realizado em novembro de 2018.

Nesse contexto, a coordenadora de saúde Kátia Poles reforça que são muitas as variáveis que podem afetar a saúde mental dos acadêmicos. “A saúde mental é um estado no qual a pessoa consegue ser funcional, ou seja, tem um desempenho adequado nas áreas pessoal, profissional, familiar e social. O sofrimento em determinados momentos faz parte da vida. Ter saúde mental significa conseguir enfrentar os problemas e as frustrações da vida e superá-los de alguma forma. E para isso precisamos contar com o suporte social, com atividades físicas e hábitos saudáveis de vida, e com a ajuda da psicoterapia e acompanhamento psiquiátrico quando necessário.”

Kátia enfatiza, ainda, a importância das relações interpessoais para a saúde mental e para o reconhecimento de transtornos complexos e comportamentos suicidas. “Termos o apoio das pessoas próximas é fundamental para nossa qualidade de vida. Caso essas dificuldades resultem em sofrimento mental ou intensifiquem algum tipo de transtorno, é fundamental buscar ajuda de um profissional de saúde da área”, explica.

Para mais informações sobre o serviço, deve-se entrar em contato pelos telefones 3829-1132 ou 3829-1110.

Atenção! As notícias mais antigas (anteriores a Maio/2018) estão disponíveis em nosso repositório de notícias no endereço www.ufla.br/dcom.