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DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA

Finalizada programação de Lavras do Pint of Science – vídeos estão disponíveis

Escrito por Ana Eliza Alvim | Publicado: Quinta, 20 Mai 2021 17:22 | Última Atualização: Quinta, 20 Mai 2021 17:52 | Acessos: 525
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Terminou nessa quarta-feira (19/5) a programação de Lavras da edição 2021 do Pint of Science, o maior evento de divulgação científica no mundo. Realizado on-line pelo canal do projeto de extensão A Magia da Física e do Universo, a programação local já conta com quase mil visualizações nos cinco vídeos das transmissões.

Os professores do Instituto de Ciências Naturais da Universidade Federal de Lavras (ICN/UFLA)  José Alberto Castro Nogales Vera e Karen Luz Burgoa Rosso, responsáveis locais pela condução do evento, comemoram os resultados. “Houve muitas perguntas e participação das pessoas. A diversidade do público também foi notadamente ampla em idades e profissões, resultado muito bom para um processo de divulgação científica. O Pint of Milk, voltado para crianças, já alcançou 314 visualizações e estamos muito contentes com esse resultado. Achamos que esse conteúdo tem grandes chances de crescer como um evento de divulgação científica relevante para a população. Tivemos a presença de dez cientistas, pesquisadores e professores das universidades públicas, que deleitaram com ciência ao público”, dizem.

Palestras de 18/5 e 19/5

Depois do dia de abertura (17/5), mais três temáticas marcaram a programação. Na terça-feira (18/5), o tema principal foi “Vírus, bactérias e Astrobiologia - Microrganismos, nossos companheiros de viagem pelo espaço”. A abordagem foi conduzida inicialmente pelo engenheiro químico Gabriel Gonçalves Silva. Ele falou sobre a Astrobiologia, um ramo da ciência voltado para o estudo da origem e evolução da vida na terra e além dela. Falou também sobre a importância dos microrganismos.

Em seguida, Natália Marques Vieira, formada em Biotecnologia, foi responsável por abordar o subtema “Vírus, bactérias e Astrobiologia”. “Onde há vida, há vírus”, afirmou. Ela mencionou os locais extremos onde os vírus podem ser encontrados, explicou o que são os vírus, a diferença entre eles e o virion, e também ponderou que os vírus não podem ser sempre vistos pelo lado negativo, já que eles também contribuem para a evolução da vida.

Já em 18/5 as atividades contaram com a presença da professora Laíse Vieira Gonçalves Ribeiro, doutoranda em Educação para Ciência pela Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), e do professor Bruno Monteiro, pesquisador e estudante na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em Macaé. O tema abordado foi “Cenários para educação científica durante e pós a pandemia do Covid-19”. 

Entre as abordagens feitas por Laíse, esteve a reflexão sobre o avanço das redes sociais e da tecnologia, que, segundo ela, de certa forma agravam a disseminação de notícias falsas. As famosas “fake news” dificultam o combate à pandemia e a análise crítica, pela população, no uso das mídias. A pesquisadora finaliza dizendo que é necessário ter um projeto de educação e de país, e que esse projeto ofereça melhores condições de trabalho, valorização dos profissionais e melhores condições de vida para todos, para que, assim, seja possível fazer a transformação acontecer e romper barreiras na sociedade. Desse modo, pode-se oferecer uma educação científica de qualidade.

O professor Bruno Monteiro apresentou vários dados desse momento pandêmico, incluindo a taxa de vacinação da população brasileira. Ele destacou que o Brasil possui uma saúde pública exemplar, produção acadêmica e tecnológica potenciais, mas que o número de vacinados está extremamente baixo, o que chega a ser contraditório para o País. Também mostrou que a maioria dos brasileiros que estão passando fome são negros e pardos, segundo uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ponderando que o Brasil é um dos países que mais produzem alimentos.

A última mesa, do dia 19/5, trouxe o professor Luis Crispino para conversar com o público sobre buracos negros, um tema que vem ganhando cada vez mais atenção de estudiosos da Física e atraindo até mesmo o público não especializado. Crispino tem experiência na área e é professor titular e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Física da Universidade Federal do Pará (UFPA), além de ser membro do Conselho da Sociedade Brasileira de Física.

Em um primeiro momento, o palestrante apresentou para todos uma linha do tempo sobre alguns rumos que as pesquisas de variados estudiosos sobre buracos negros tomaram com o passar dos séculos, ressaltando as descobertas que baseiam as teorias hoje conhecidas.

Durante a conversa, Crispino citou, por exemplo, a teoria da relatividade geral de Albert Einstein, ressaltando que qualquer GPS dos dias de hoje - presente em carros e, até mesmo, em celulares - precisa considerar essa teoria para ter uma precisão desejável. Além disso, explicou também que existem diferentes tipos de buracos negros e que a deformação causada por um deles é extrema, fazendo com que apareça uma fronteira de não-retorno, chamada de horizonte de eventos, que é uma fronteira a partir da qual tudo o que entra não sai mais, até mesmo a luz. O palestrante comentou também que buracos negros se formam por colapso estrelar, ou seja, estrelas evoluem e se transformam em algo singular, com propriedades estranhas capazes de aprisionar até mesmo a própria luz.

E foi assim, com uma dose de buracos negros e espaço-tempo, que mais uma edição do Pint of Science chegou ao fim - não é à toa que a palavra “pint” em inglês se refere, literalmente, a um tipo de copo comum para beber cervejas.

Caso tenha perdido alguma discussão do festival, você ainda pode encontrá-la disponível no canal do projeto “Magia da Física e do Universo” do Youtube.

Textos/contribuições: Claudinei Rezende da Silva (bolsista Pibec), Vanessa Kevini da Silva Ferreira e Crislaine Klaid, bolsistas Proat.